O Brasil superou em 2025 a meta nacional de alfabetização: segundo o Indicador Criança Alfabetizada (ICA) do Inep, 66% das crianças concluíram o 2.º ano do ensino fundamental lendo e escrevendo no nível esperado — acima dos 64% fixados pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA). Com esse resultado, 190 mil crianças a mais chegaram ao nível adequado em apenas um ano. Agora, em junho de 2026, os professores estão no centro do segundo ciclo da Avaliação Contínua das Aprendizagens (ACA), etapa decisiva para fechar o semestre com planejamento pedagógico afinado.

O que o ICA 2025 revelou

Divulgado em 23 de março de 2026 pelo INEP e pelo Ministério da Educação (MEC), o indicador mostra avanço consistente por três anos seguidos:

  • 2023: 55,9% das crianças alfabetizadas ao final do 2.º ano
  • 2024: 59,2%
  • 2025: 66% — meta de 64% superada

Vinte estados atingiram a meta fixada para 2025, e 25 unidades da federação registraram crescimento no indicador. Paraná e Goiás lideraram: ambos chegaram a 80% de crianças alfabetizadas no prazo. O resultado é histórico, mas o desafio persiste: um terço das crianças ainda não chega ao 3.º ano com as habilidades esperadas de leitura e escrita — o que reforça a importância das avaliações periódicas ao longo do ano letivo.

O que é a ACA e por que o ciclo de junho importa

A Avaliação Contínua das Aprendizagens (ACA) é um instrumento do CNCA para acompanhar o desenvolvimento dos estudantes do 1.º e 2.º ano do ensino fundamental. Realizada em três momentos — março, junho e setembro —, ela mede habilidades de leitura e escrita com base na BNCC e gera dados para orientar o planejamento pedagógico de cada turma.

O ciclo de junho é o mais estratégico dos três: com mais de um semestre ainda pela frente, o professor tem tempo suficiente para intervir, reorganizar grupos e solicitar apoio pedagógico antes das avaliações finais. Os resultados são atualizados diariamente na plataforma do CNCA, desenvolvida em parceria com o CAEd (Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da UFJF).

Como o professor aplica a ACA

A aplicação é responsabilidade do professor regente de turma. O processo envolve quatro etapas:

  1. Acessar a plataforma CNCA/CAEd com as credenciais fornecidas pela secretaria de educação
  2. Aplicar as atividades avaliativas individualmente com os alunos — sem nota, sem caráter punitivo
  3. Registrar as respostas na plataforma logo após a sessão com a turma
  4. Consultar o painel de resultados e identificar quais habilidades da BNCC precisam de reforço

A ACA não gera reprovação e não compõe o boletim do aluno. Seu único objetivo é fornecer dados objetivos para o professor replanejar a rotina pedagógica e acionar suporte quando necessário.

O que muda na prática para o professor

Com o ICA 2025 confirmando o maior avanço histórico da alfabetização no Brasil, o ciclo de junho da ACA é a janela certa para o professor mapear quais alunos precisam de intervenção antes das férias de julho. Quem analisa os resultados tem condições de reorganizar grupos de reforço, ajustar o ritmo de cada turma e chegar ao segundo semestre com uma estratégia pedagógica mais precisa — contribuindo diretamente para o cumprimento das metas do CNCA nos próximos anos.

Para saber as datas exatas de aplicação na sua rede, consulte a secretaria municipal ou estadual de educação ou acesse o portal oficial em gov.br/mec/pt-br/crianca-alfabetizada.