O Programa Mais Professores para o Brasil, criado pela Lei 15.344, de 12 de janeiro de 2026, oferece uma bolsa mensal de R$ 2.100 a professores da rede pública que atuam em escolas com carência de docentes e alto grau de vulnerabilidade socioeconômica. O pagamento é feito diretamente pela Capes ao professor, por um período de até 24 meses, sem incorporação ao vencimento estadual e sem qualquer desconto no contracheque.

O que é o Programa Mais Professores

A lei criou uma política nacional para atrair e fixar professores em regiões e disciplinas onde faltam docentes qualificados. O raciocínio é direto: quem aceita trabalhar em uma escola pública vulnerável recebe um complemento de R$ 2.100 mensais durante até dois anos, pagos pelo governo federal via Capes, mediante cadastro na secretaria estadual de educação — sem a necessidade de novo concurso ou processo seletivo extra.

Como contrapartida, o professor bolsista deve participar de uma especialização gratuita oferecida pelo Portal de Formação Mais Professores, unindo o benefício financeiro ao desenvolvimento profissional contínuo.

Quem pode se candidatar à bolsa

A Bolsa Mais Professores é destinada a professores efetivos das redes estaduais de ensino. Para que o docente seja elegível, a escola onde ele atua — ou para onde aceita ser alocado — precisa cumprir, ao mesmo tempo, dois critérios definidos pelo MEC:

  • Indicador de adequação da formação docente acima de 25% no componente curricular — ou seja, a escola já enfrenta dificuldade para ter professores formados na área de atuação;
  • Indicador de Nível Socioeconômico (INSE) entre os 25% mais baixos do país, o que caracteriza uma escola que atende populações em situação de alta vulnerabilidade.

Professores temporários e contratados em regime emergencial não são contemplados na versão atual do programa. A seleção é conduzida pela própria secretaria estadual de educação, com base nas escolas elegíveis mapeadas pelo MEC.

Estados já implementando o programa

Desde o início de 2026, vários estados avançaram na implementação. O Rio Grande do Norte abriu seleção para 210 bolsas na rede estadual; Pernambuco ofertou 576 vagas; e Minas Gerais realizou chamada para professores efetivos em estágio probatório. Segundo o Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), professores que aceitam transferência voluntária para escolas elegíveis têm prioridade no processo seletivo das redes.

A expectativa do MEC é ampliar a adesão ao longo de 2026. Estados que ainda não formalizaram o acordo podem fazê-lo mediante assinatura de termo de adesão junto ao Ministério da Educação, comprometendo-se com os critérios e a seleção criteriosa dos bolsistas.

Outros componentes do Mais Professores

Além da bolsa, a Lei 15.344/2026 estrutura ações integradas de valorização docente que vão além do benefício financeiro:

  • Portal de Formação: plataforma com cursos gratuitos de formação inicial, continuada e especializações para professores da educação básica;
  • Prova Nacional Docente (PND): exame aplicado pelo INEP para auxiliar estados e municípios na seleção de professores qualificados;
  • Carteira Nacional Docente do Brasil (CNDB): documento de identidade profissional com acesso a descontos em empresas parceiras pelo programa #TôComProf.

Segundo o MEC, o investimento total no Mais Professores chega a R$ 1,68 bilhão até o final de 2026, com potencial de beneficiar cerca de 2,7 milhões de professores em todo o país.

O que muda na prática para você

Se você é professor efetivo de uma rede estadual, o primeiro passo é verificar com a secretaria de educação do seu estado se houve adesão ao programa e se existem escolas elegíveis no seu município. A seleção é feita localmente, sem concurso adicional. Professores que aceitam atuar em escolas de baixo INSE — muitas vezes em bairros periféricos ou municípios do interior — podem receber R$ 2.100 extras por mês durante até dois anos, além de formação continuada custeada pela União. Acompanhe editais estaduais e acesse o portal oficial em gov.br/mec/pt-br/mais-professores.