Em abril de 2026, o Brasil superou a marca de 100 mil escolas públicas com acesso a internet de qualidade. Segundo dados divulgados pelo Ministério das Comunicações, foram 100.720 unidades escolares contempladas — o equivalente a 72,9% das 138.086 escolas públicas de educação básica existentes no país. O resultado coloca o Brasil mais perto de cumprir a meta de conectar todas as escolas até o fim de 2026.

O que é o Programa Escolas Conectadas

O Programa Escolas Conectadas é uma iniciativa coordenada pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério das Comunicações (MCom), com execução pela Entidade Administradora da Conectividade Escolar (EACE). O objetivo é garantir internet de qualidade em todas as escolas públicas de educação básica do país — incluindo unidades rurais, urbanas e indígenas.

O programa reúne várias ações complementares: o Fundo de Universalização de Serviços de Telecomunicações (FUST), o Programa Aprender Conectado, o Wi-Fi Brasil e a Política de Inovação Educação Conectada (PIEC). A base legal é a Lei de Conectividade (Lei 14.172/2021). O investimento total previsto chega a cerca de R$ 9 bilhões, sendo R$ 6,5 bilhões provenientes do Novo PAC. Desde o lançamento, em setembro de 2023, mais de R$ 3 bilhões já foram aplicados em escolas estaduais e municipais de todo o Brasil.

O avanço em números: de 57% a quase 73% em dois anos

O crescimento da cobertura foi consistente. Em dezembro de 2024, 57,3% das escolas públicas já tinham conexão adequada. No final de 2025, esse índice subiu para 69,7%. Em abril de 2026, o número passou de 100 mil, chegando a 72,9% do total.

Para cumprir a meta de 100% até dezembro de 2026, o programa ainda precisa conectar aproximadamente 37 mil escolas nos próximos meses — um desafio especialmente concentrado em regiões de difícil acesso.

Região Norte registra o maior salto

O avanço mais expressivo aconteceu na Região Norte, historicamente prejudicada por barreiras geográficas. Em dezembro de 2023, apenas 23,6% das escolas da região tinham internet dentro dos padrões adequados. Esse percentual foi subindo: 36,7% em 2024, 60,5% ao final de 2025 e 64,3% em abril de 2026. Em pouco mais de dois anos, a cobertura quase triplicou na região mais desafiadora do país.

O que muda na prática para o professor

A chegada da internet à escola transforma a rotina do docente de forma concreta. Plataformas educacionais como o AVAMEC e os sistemas do MEC passam a funcionar diretamente no ambiente escolar, sem depender de conexão particular. Ferramentas digitais de planejamento de aulas, bancos de objetos educacionais, videoaulas e recursos de inteligência artificial ficam acessíveis na própria sala de aula ou na sala dos professores.

A conectividade também facilita a participação em formações continuadas a distância sem custo adicional de internet para o docente, e permite o preenchimento de sistemas de gestão — como o Censo Escolar — com mais agilidade e praticidade. Para escolas em zonas rurais e comunidades indígenas, o impacto é ainda maior: em muitos casos, essa é a primeira conexão de qualidade que o professor tem acesso durante o horário de trabalho.

A meta do governo federal é que todas as escolas públicas brasileiras estejam conectadas até dezembro de 2026. Para professores e gestores que queiram acompanhar o andamento do programa ou verificar se sua escola já foi contemplada, as informações estão disponíveis no portal oficial do Ministério das Comunicações em gov.br/mcom.