O número de bebês e crianças de 0 a 3 anos matriculados em creches no Brasil atingiu o maior patamar histórico em 2025: 43,3% dessa faixa etária — cerca de 4,5 milhões de crianças — já têm acesso à educação infantil, segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação e reportados pela Agência Brasil em julho de 2026. Em uma década, o atendimento cresceu 36%, mas a meta do novo Plano Nacional de Educação (PNE 2024-2034) ainda exige mais: chegar a 60% até 2034.
O que dizem os números sobre as creches brasileiras
Em 2016, apenas 31,8% das crianças de 0 a 3 anos frequentavam alguma unidade de educação infantil. Em 2025, esse índice chegou a 43,3% — uma alta de 11 pontos percentuais em dez anos, o que representa crescimento de 36% no volume de atendimentos. Segundo o MEC, hoje cerca de 4,5 milhões de bebês e crianças pequenas estão matriculados em creches públicas ou privadas em todo o país.
Na etapa da pré-escola, o resultado é ainda mais expressivo: a taxa de atendimento de crianças de 4 e 5 anos alcançou 96,1% em 2025, o maior índice já registrado na série histórica. Essa etapa é obrigatória pela legislação brasileira e está bem próxima da universalização.
O avanço é inegável, mas os especialistas apontam que, para cumprir a meta do PNE na etapa creche, o Brasil ainda precisa avançar mais de 16 pontos percentuais em menos de dez anos — o que exigirá um ritmo de expansão bem mais acelerado do que o registrado na última década.
O que é o CONAQUEI e como ele vai funcionar
Para apoiar essa expansão e melhorar a qualidade do atendimento já existente, o Ministério da Educação instituiu o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil (CONAQUEI), criado pela Portaria nº 501/2025. O programa prevê investimentos de mais de R$ 406 milhões em 2026 e 2027, destinados a estados e municípios que aderirem à iniciativa.
O CONAQUEI atua em dois eixos principais:
- Expansão de vagas: apoio à abertura de novas matrículas em creches, com foco em municípios de baixa cobertura e em populações em situação de vulnerabilidade socioeconômica;
- Qualidade do atendimento: formação de professores e profissionais da educação infantil, melhoria de infraestrutura das unidades e suporte para elaboração ou revisão dos projetos pedagógicos.
Para participar, estados e municípios devem firmar um termo de adesão com o MEC e apresentar um plano de ação com metas quantificadas. Em contrapartida, recebem apoio técnico e financeiro do governo federal para implementar as melhorias previstas.
A meta do PNE e o desafio para as redes de ensino
O Plano Nacional de Educação 2024-2034, sancionado em 2026, ampliou a ambição do país para a educação infantil. A meta para a etapa creche passou para pelo menos 60% das crianças de até 3 anos até 2034, com ênfase em regiões com maior déficit de vagas e em grupos historicamente excluídos.
Para cumprir esse objetivo, o Brasil precisará criar centenas de milhares de novas vagas em creches ao longo dos próximos anos — o que envolve construção de novas unidades, realização de concursos públicos para educadores e garantia de recursos no FUNDEB para custeio do atendimento.
O que muda na prática para o professor de educação infantil
Para quem já atua ou pretende trabalhar com crianças de 0 a 5 anos, o cenário dos próximos anos aponta para oportunidades concretas:
- Aumento de vagas em concursos públicos municipais para professor de creche e pré-escola;
- Mais ofertas de formação continuada financiadas pelo CONAQUEI, disponíveis pelo Portal Formação do MEC;
- Melhorias de infraestrutura nas unidades onde esses profissionais já trabalham;
- Valorização crescente do trabalho com a primeira infância, etapa que ganha cada vez mais centralidade nas políticas educacionais brasileiras.
Na prática, o professor que atua na educação infantil deve acompanhar os editais de formação do seu município e Estado e verificar se a rede de ensino aderiu ao CONAQUEI — o que pode significar mais recursos, apoio pedagógico e melhores condições de trabalho nos próximos anos.




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