O Brasil atingiu em maio de 2026 a marca de 100 mil escolas públicas com internet gratuita e de qualidade. Segundo a Agência Gov e a Agência Brasil, são 100.720 unidades de ensino da rede pública de educação básica agora conectadas dentro dos critérios adequados, representando 72,9% dos 138.086 estabelecimentos do país. A conquista é resultado da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC), política conduzida em parceria pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério das Comunicações (MCom).
O que é o ENEC e como a conectividade é avaliada
A ENEC foi criada para garantir internet com fins pedagógicos em todas as escolas públicas de educação básica. Mas nem toda escola com “acesso à internet” entra na contagem da estratégia. Para ser considerada conectada com qualidade, a unidade precisa atender a três critérios obrigatórios: fornecimento elétrico adequado, velocidade de conexão compatível com o número de alunos e cobertura de Wi-Fi em todos os espaços pedagógicos — incluindo salas de aula, biblioteca e laboratório, não apenas na secretaria ou sala da direção.
Desde o início do programa, o MEC e o MCom investiram R$ 8,8 bilhões em infraestrutura de rede, instalação de roteadores e capacitação de professores para o uso educacional da tecnologia.
A evolução da internet nas escolas brasileiras
O avanço foi consistente nos últimos anos. Em 2023, apenas 45,4% das escolas públicas brasileiras atendiam ao padrão de qualidade do ENEC. O índice subiu para 57,3% em dezembro de 2024, avançou para 69,7% ao final de 2025 e chegou a 72,9% em abril de 2026, quando a marca de 100 mil escolas foi superada.
O crescimento foi especialmente expressivo no Norte do país, região historicamente com menos infraestrutura. Em dezembro de 2023, apenas 23,6% das escolas da região tinham conectividade adequada; em abril de 2026, esse índice chegou a 64,3%. Em áreas mais isoladas, como a Ilha do Marajó (PA), a cobertura passou de 3% para 66,8%, segundo dados do MEC.
Com as escolas conectadas, cerca de 24 milhões de estudantes da educação básica passaram a contar com internet para fins pedagógicos dentro do próprio ambiente escolar, com investimento total de R$ 8,8 bilhões no programa.
O que muda na prática do professor
Para o professor, internet de qualidade em sala de aula amplia o que é possível fazer no dia a dia. Com Wi-Fi em todos os espaços pedagógicos, é possível usar plataformas digitais, exibir videoaulas, conduzir pesquisas online com os alunos, acessar simuladores e conteúdos interativos, além de participar de formações a distância sem precisar sair da escola.
O MEC destaca, no entanto, que a tecnologia só se torna aprendizagem quando há intencionalidade pedagógica — quando a ferramenta digital faz parte do currículo e o professor está preparado para usá-la com objetivos claros. Conectar a escola é o primeiro passo; o segundo é o professor planejar como usar essa conectividade dentro dos objetivos de aprendizagem da turma.
Para apoiar os docentes nesse caminho, o MEC mantém cursos gratuitos de tecnologia educacional na plataforma AVAMEC e, em 2026, lançou curso específico de inteligência artificial para professores do ensino fundamental, disponível na Plataforma Mais Professores.
Meta para o fim de 2026 e o que fazer se sua escola ainda não está conectada
Apesar do avanço significativo, ainda restam cerca de 37.366 escolas públicas sem conectividade adequada — quase 27% do total nacional. A meta do governo federal é universalizar a internet em todas as escolas públicas de educação básica até o final de 2026. As unidades sem conexão adequada permanecem no sistema ENEC para acessar recursos do PDDE Interativo e contratar internet ou melhorar a infraestrutura tecnológica existente.
As secretarias estaduais e municipais são responsáveis por monitorar as escolas e enviar dados de acompanhamento pelo Sistema Integrado de Monitoramento (Simec). Em abril de 2026, o MEC realizou webinar com orientações detalhadas para gestores das redes de ensino sobre o ciclo 2026 do ENEC.
Para o professor que atua em escola ainda sem internet adequada: o caminho é acionar a direção e verificar junto à secretaria de educação se a unidade está cadastrada no ENEC. Para quem já trabalha em escola conectada, o momento é aproveitar a infraestrutura disponível — a conectividade de qualidade só gera aprendizagem quando usada com propósito pedagógico claro.



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