A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) intensificou em 2026 as ações do Programa de Recomposição da Aprendizagem (PRA) para estudantes do ensino médio da rede estadual. Regulamentado pela Instrução Normativa nº 005/2025, o programa atende alunos com defasagem na trajetória escolar e, neste ano, ganha foco especial na mobilização das famílias — o que coloca o professor também no papel de articulador comunitário, segundo o portal oficial da Seduc-MT.

Quem são os alunos atendidos pelo PRA-MT

O programa é voltado para dois grupos principais. O primeiro inclui estudantes do 1º e 2º ano do ensino médio com dois ou mais anos de defasagem idade-série, conforme os dados do Educacenso. O segundo abrange alunos do 3º ano que enfrentam dificuldades para acompanhar conteúdos essenciais da formação geral básica.

A inclusão no PRA também pode ocorrer para alunos identificados com desempenho abaixo do básico nas avaliações diagnósticas aplicadas pela escola. O objetivo do programa não é segregar esses estudantes, mas oferecer um percurso estruturado que devolva confiança e promova avanços reais na aprendizagem.

Currículo e carga horária do programa

A estrutura do PRA-MT prevê 1.000 horas anuais, organizadas da seguinte forma:

  • Formação Geral Básica: 800 horas
  • Itinerários Formativos: 200 horas

A carga horária da Formação Geral Básica é distribuída pelas quatro grandes áreas do conhecimento: Linguagens e suas Tecnologias (266 horas), Matemática e suas Tecnologias (133 horas), Ciências da Natureza e suas Tecnologias (201 horas) e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (200 horas). O material didático é estruturado para priorizar a resolução de problemas, o protagonismo do estudante e práticas pedagógicas conectadas à realidade dos jovens mato-grossenses.

O que muda para o professor nas turmas PRA

Professores que atuam nas turmas do PRA-MT passarão por formação continuada promovida pela Seduc-MT, com foco em metodologias ativas e flexíveis, capazes de atender diferentes ritmos de aprendizagem dentro de uma mesma turma.

Na prática docente, isso significa menos aulas expositivas tradicionais e mais atividades de resolução de problemas, projetos e situações que conectam o conteúdo ao cotidiano dos alunos. O professor assume também, em 2026, papel ativo na aproximação com as famílias dos estudantes incluídos no programa.

A avaliação igualmente muda. O PRA-MT adota um modelo processual e formativo que inclui:

  • Portfólios de aprendizagem
  • Redações com correção automatizada por inteligência artificial
  • Provas diagnósticas periódicas
  • Autoavaliação dos estudantes

Esse conjunto de instrumentos permite que o professor realize intervenções pedagógicas contínuas e individualizadas, ajustando o ensino ao nível real de cada aluno.

Tecnologia como suporte: Chromebooks e Smart TVs

Nas turmas do período noturno, a Seduc-MT destaca o uso de aulas mediadas por tecnologia, com Chromebooks e Smart TVs. Essas ferramentas ampliam as possibilidades de personalização da aprendizagem e tornam o ambiente escolar mais interativo para o público do noturno, que frequentemente concilia estudo e trabalho.

Para o professor, o uso dessas ferramentas demanda preparo para integrar recursos digitais ao planejamento pedagógico. Segundo o portal da Seduc-MT, a tecnologia deve ser usada como meio para facilitar a aprendizagem, e não como substituta da mediação docente.

Mais informações sobre o programa estão disponíveis no portal oficial da Secretaria: seduc.mt.gov.br.

Na prática, professores do ensino médio da rede estadual de MT que lecionam em turmas PRA devem ficar atentos às convocações da Seduc-MT para as formações continuadas ao longo de 2026. A participação nessas formações é fundamental para aplicar corretamente as metodologias ativas e os instrumentos de avaliação previstos pela Instrução Normativa nº 005/2025. Quem já trabalha com alunos em defasagem tem a oportunidade de contar, a partir deste ano, com suporte estruturado e ferramentas tecnológicas para tornar esse atendimento mais eficaz.