O governo de São Paulo anunciou a expansão do Programa de Ensino Integral (PEI) para mais 108 escolas estaduais em 2027, abrindo 103 mil novas vagas para estudantes da rede pública. Com a mudança, o número de alunos matriculados em tempo integral na rede paulista deve subir de aproximadamente 1 milhão para 1,11 milhão — o maior salto do programa nos últimos anos.
O que é o Programa Ensino Integral de SP
Criado em 2012 e expandido progressivamente, o PEI oferece jornadas de sete ou nove horas diárias nas escolas estaduais paulistas. O modelo vai muito além das aulas tradicionais: inclui tutoria individualizada, projeto de vida, atividades complementares e acompanhamento sistemático do desempenho dos estudantes.
Atualmente, a rede estadual de SP conta com cerca de 1.855 unidades no programa, resultado de uma grande expansão em 2022, quando 778 escolas de 118 municípios foram incorporadas ao PEI de uma só vez. Hoje, aproximadamente 1 em cada 3 estudantes da rede pública estadual paulista — que soma 3 milhões de alunos — frequenta uma escola de tempo integral.
Segundo o governo do estado de São Paulo, a meta é consolidar o PEI como referência nacional de qualidade no ensino público, ampliando o acesso ao modelo de forma gradual e sustentável.
Como a expansão afeta os professores
Abrir 103 mil vagas para estudantes significa, na prática, mais empregos para professores. Cada nova escola PEI que entra em funcionamento demanda um quadro docente maior do que o das escolas de jornada parcial, exatamente porque a jornada ampliada exige mais horas de aula, tutoria e planejamento coletivo.
Os professores que atuam no PEI trabalham em regime de dedicação exclusiva a uma única escola: não é possível acumular PEI com outra unidade estadual. Em contrapartida, a carga horária é organizada de forma que parte do tempo é reservada para trabalho pedagógico coletivo (ATPC) e planejamento, dando ao professor mais estrutura para preparar aulas e acompanhar os alunos.
Com a nova rodada de expansão, a Secretaria da Educação de SP deve abrir em breve processos de alocação e seleção para educadores interessados em atuar nas novas unidades PEI que entrarão em operação em 2027. Professores efetivos e temporários da rede estadual podem manifestar interesse nesses processos, que costumam ser divulgados no portal oficial da Secretaria.
Ensino integral no contexto nacional
A expansão paulista está alinhada com o movimento nacional de ampliação do tempo integral. O Programa Escola em Tempo Integral, coordenado pelo Ministério da Educação (MEC), tem como objetivo expandir matrículas em jornada ampliada em redes estaduais e municipais de todo o Brasil. São Paulo, como maior rede estadual do país, exerce papel central nessa agenda.
O modelo de tempo integral também tem impacto direto em indicadores educacionais. Dados do IDEB e de pesquisas da área mostram, de forma consistente, que alunos em escolas de jornada ampliada tendem a apresentar melhor desempenho em português e matemática, menor taxa de abandono e mais engajamento com o projeto escolar.
O que muda na prática para o professor paulista
Com 108 novas escolas PEI previstas para 2027, abre-se uma janela importante para professores que queiram mudar de ambiente de trabalho, migrar do regime parcial para o integral ou simplesmente ingressar em uma escola com estrutura mais robusta de apoio pedagógico.
Quem já trabalha em escolas PEI deve se preparar para novos processos de alocação interna e possível reorganização de equipes. Quem ainda não atua no programa pode começar a se preparar: acompanhe os editais no site da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, onde os processos de seleção para o PEI são publicados. Fique também atento aos comunicados da sua Diretoria de Ensino Regional, que costuma informar professores de sua área sobre vagas disponíveis nas novas unidades.
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