O Ministério da Educação realizou nos dias 8 e 9 de junho de 2026, em Brasília, o Seminário Nacional de Reconhecimento de Práticas Pedagógicas do Ensino Médio Noturno. O evento integra o Programa Ensino Médio Mais e celebrou 18 propostas selecionadas entre 95 iniciativas enviadas por escolas de todo o país — uma por unidade federativa. O objetivo é valorizar as escolas que desenvolvem estratégias para manter os jovens estudantes no noturno e melhorar seus resultados de aprendizagem.

O que é o Programa Ensino Médio Mais

Lançado pelo governo federal em julho de 2024, por meio da Portaria nº 653, o Programa Ensino Médio Mais oferece apoio técnico e financeiro a escolas estaduais que possuem pelo menos uma turma de ensino médio no período noturno. A prioridade são estabelecimentos com menor Indicador de Nível Socioeconômico (Inse), ou seja, os que atendem estudantes em maior situação de vulnerabilidade.

Segundo o portal do MEC, o programa beneficia mais de 3 mil escolas e impacta mais de 379 mil alunos do ensino médio noturno em todo o Brasil. Os recursos chegam às unidades via Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE): em 2024, escolas com até 500 matrículas no noturno receberam R 13.087,13; as com mais de 500 matrículas, R 19.629,56. O FNDE atualiza esses valores anualmente de acordo com o número de matrículas registradas no Censo Escolar.

Como o professor do noturno é beneficiado

O Ensino Médio Mais parte do reconhecimento de que o estudante do noturno tem um perfil distinto: muitos já trabalham de dia, têm mais idade e acumulam responsabilidades que o aluno do turno diurno não tem. O programa convida professores e gestores a elaborar propostas pedagógicas que levem essa realidade em conta, com metodologias que conectem o currículo ao mundo do trabalho, à cultura local e às vivências dos jovens.

Com os recursos do PDDE, a escola pode investir em material didático adaptado, atividades de acolhimento, capacitação docente e ações de combate à evasão. A meta declarada pelo MEC é reverter o cenário em que estudantes do noturno têm desempenho sistematicamente inferior ao dos colegas que estudam durante o dia.

Quais práticas foram reconhecidas em junho

Das 95 propostas inscritas no edital publicado pelo MEC em abril de 2026, o Comitê de Avaliação e Monitoramento da Política Nacional de Ensino Médio selecionou 18. Entre os destaques, a Escola Estadual Paulo das Graças da Silva, de Minas Gerais, foi reconhecida pelo projeto Caminhos da Cultura: Juventudes que Transformam, desenvolvido a partir da escuta ativa de estudantes e professores para fortalecer o vínculo dos jovens com a escola. No Paraná, um colégio indígena foi selecionado pelas ações voltadas à permanência de alunos no turno noturno.

O seminário de dois dias incluiu painéis de debate com temas como "O ensino médio noturno no contexto da Política Nacional de Ensino Médio: desafios e possibilidades" e "A educação híbrida no ensino médio noturno: conceitos e contextos em questão", reunindo estudantes, pesquisadores e gestores educacionais.

Como a sua escola pode aderir ao programa

Para integrar o Ensino Médio Mais, a escola estadual precisa oferecer pelo menos uma turma de ensino médio no período noturno. A adesão é feita pela secretaria estadual de Educação no sistema PDDE Interativo. Uma vez cadastrada, a escola passa a receber os recursos automaticamente via PDDE, sem necessidade de processo licitatório.

Professores que atuam no noturno podem contribuir sugerindo ao diretor ou ao coordenador pedagógico que apresentem uma proposta ao programa. As iniciativas reconhecidas em 2026 mostram que projetos que partem da realidade do aluno — identidade, cultura, trabalho — têm maior chance de seleção.

Na prática, o Programa Ensino Médio Mais significa que o professor do noturno conta com um instrumento federal que reconhece a complexidade do seu trabalho e disponibiliza recursos para melhorar as condições de ensino e aprendizagem. Se a sua escola ainda não participa, converse com a gestão: a adesão pode trazer recursos extras e visibilidade para as boas práticas já desenvolvidas em sala de aula.