O Brasil lidera o ranking mundial em intimidação e agressões contra professores segundo o TALIS 2024 — levantamento internacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicado em outubro de 2025. A pesquisa ouviu 3.009 docentes em 207 escolas brasileiras e revelou que 47% dos professores relatam sofrer estresse intenso causado por intimidação verbal ou abuso por parte dos estudantes — quase o triplo da média global entre os países participantes, que é de 18%.
O que diz a pesquisa TALIS 2024
O Teaching and Learning International Survey (TALIS 2024), coordenado pela OCDE a cada cinco anos, avalia as condições de trabalho e os desafios enfrentados por educadores em dezenas de sistemas de ensino ao redor do mundo. No Brasil, o dado mais alarmante é o da intimidação: enquanto a média global é de 18%, quase metade dos professores brasileiros aponta a agressão verbal de alunos como uma fonte intensa de estresse no cotidiano escolar.
Outros números reforçam o cenário de pressão: 64% dos docentes brasileiros citam a manutenção da disciplina como um dos principais fatores de estresse. Em média, professores perdem 21% do tempo de aula — aproximadamente uma hora em cada cinco de ensino — tentando resolver questões disciplinares. Esse tempo perdido vai direto da aprendizagem dos alunos.
Baixa valorização e vínculos precários
A pesquisa vai além da violência e aponta um quadro de desvalorização que se combina com as agressões. Apenas 53% dos professores brasileiros afirmam se sentir valorizados pelos estudantes, bem abaixo da média da OCDE (71%). A percepção de valorização pelos responsáveis dos alunos é igualmente baixa: 53% no Brasil, ante 65% nos demais países pesquisados.
Na questão dos contratos, somente 64% dos docentes no Brasil têm vínculo permanente de trabalho — a média da OCDE é de 81%. Quanto ao salário, apenas 22% dos professores brasileiros estão satisfeitos com o que recebem, frente a 39% na média internacional. O estresse de nível muito alto atingiu 21% dos professores (aumento de sete pontos percentuais em relação ao TALIS de 2018), e 16% afirmam que a profissão afeta intensamente sua saúde mental, comparado a 10% na OCDE.
Casos recentes expõem a gravidade do problema
Os dados do TALIS ganharam ainda mais visibilidade com os episódios recentes de violência escolar no País. Em julho de 2026, uma sequência de casos em escolas públicas do Paraná chamou a atenção: em São José dos Pinhais, uma professora foi ameaçada de morte após pedir silêncio a alunos de uma sala vizinha, segundo o Brasil de Fato. Os casos mostram que a violência nas escolas não é fenômeno restrito às grandes metrópoles.
O impacto vai além do professor: quando um quinto do tempo de aula é gasto com disciplina, sobra menos espaço para o ensino efetivo — prejudicando especialmente os alunos em situação de maior vulnerabilidade social.
O que está sendo feito e o que muda para você
O Plano Nacional de Educação 2026-2036 (Lei 15.388/2026), sancionado em abril deste ano, incluiu entre suas 73 metas a redução progressiva dos índices de violência no ambiente escolar contra estudantes e profissionais da educação. A legislação prevê mecanismos de acompanhamento e responsabilização dos entes federativos pelo cumprimento das diretrizes de segurança.
Desde maio de 2026, a nova NR-1 também obriga as escolas a mapear e mitigar riscos psicossociais — o que inclui situações de assédio, agressão e violência no trabalho. Gestores que não cumprirem a norma podem ser responsabilizados pelo adoecimento dos professores.
Na prática, isso significa que toda escola pública e privada deve ter um plano de ação voltado à segurança do professor no ambiente escolar. Se você já sofreu ou presenciou violência no trabalho e a instituição não tomou providências, procure o sindicato da sua categoria para registrar uma ocorrência formal e conhecer seus direitos garantidos em lei.


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