O Brasil ultrapassou a marca de 100 mil escolas públicas da educação básica com internet de qualidade para uso pedagógico, segundo dados divulgados pela Agência Brasil em maio de 2026. O número representa 72,9% das 138.086 escolas mapeadas na rede pública, um avanço expressivo desde 2023, quando o índice estava em 45%. A conquista integra o programa Escolas Conectadas, parte da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), coordenada pelos ministérios da Educação (MEC) e das Comunicações.

O que é o programa Escolas Conectadas

A Enec foi criada para universalizar o acesso à internet com qualidade pedagógica em todas as escolas públicas da educação básica. O programa vai além da instalação de cabos e antenas: ele integra quatro componentes — conectividade, dispositivos, formação de professores e recursos educacionais digitais. Isso significa que a conexão à rede é acompanhada de capacitação para que o professor saiba usar a tecnologia em sala de aula.

O objetivo do governo federal é conectar todas as 138 mil escolas públicas do país até o final de 2026. Para acompanhar o progresso, o MEC criou o Indicador de Escolas Conectadas (Inec), que mede se cada escola tem internet em velocidade suficiente para fins pedagógicos — e não apenas qualquer tipo de conexão.

Números que mostram o avanço em 2026

Os dados revelam um salto expressivo. Em dezembro de 2023, apenas 45% das escolas públicas tinham conectividade adequada. Em janeiro de 2026, esse índice havia subido para 68,7%, chegando a 72,9% em maio de 2026, com mais de 100.720 unidades conectadas. O investimento acumulado desde o início do programa supera R$ 3 bilhões, segundo o Ministério das Comunicações.

O avanço foi ainda mais expressivo em regiões historicamente com menor acesso à tecnologia. A Região Norte, por exemplo, saltou de apenas 23,6% de escolas conectadas em dezembro de 2023 para 64,3% em abril de 2026 — o maior crescimento proporcional do país, de acordo com nota publicada pelo MEC.

O que o professor pode fazer com internet de qualidade

Com conectividade adequada, o professor tem acesso a recursos que transformam a rotina pedagógica. Veja o que passa a ser possível no dia a dia:

Plataformas digitais do MEC: o AVAMEC oferece cursos gratuitos de formação continuada, e o MEC Digital reúne videoaulas, simulações e atividades alinhadas à BNCC para todas as disciplinas e séries do ensino básico.

Criação de materiais próprios: com internet estável, o professor consegue usar ferramentas gratuitas para preparar apresentações, mapas mentais e atividades interativas, reduzindo a dependência de impressão e ampliando o repertório didático.

Aulas híbridas e continuidade pedagógica: em situações de paralisação ou afastamento médico, a conectividade viabiliza a continuidade das aulas por videoconferência — um recurso estratégico para preservar o calendário letivo.

Acesso a dados e evidências: o professor pode consultar os microdados do Inep, os resultados do SAEB e as orientações da BNCC em tempo real, facilitando o planejamento pedagógico baseado em evidências concretas da sua escola e turma.

Como a escola pode entrar no programa

As redes estaduais e municipais devem informar ao MEC quais escolas participarão do ciclo 2026 do Escolas Conectadas, incluindo dados sobre infraestrutura digital e contratação de internet via Simec. A participação no programa abre caminho para o recebimento de recursos do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola) voltados especificamente à conectividade.

Na prática, isso significa que escolas ainda fora do índice — inclusive em municípios do interior de Mato Grosso e de outras regiões menos atendidas — podem ingressar no programa e receber apoio financeiro para contratar internet de qualidade. Para o professor, a mensagem é direta: com mais escolas conectadas, os recursos digitais do MEC e as plataformas de formação gratuita passam a estar ao alcance em qualquer sala de aula do país.