Sete em cada dez alunos do Ensino Médio com acesso à internet já utilizam ferramentas de inteligência artificial generativa — como ChatGPT, Copilot e Gemini — para realizar pesquisas e atividades escolares. Ao mesmo tempo, apenas 32% desses estudantes afirmam ter recebido alguma orientação da escola sobre como usar essas tecnologias de forma responsável. Os dados são da pesquisa TIC Educação 2025, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br), divulgada em 4 de agosto de 2026.

O avanço do uso de IA entre alunos

A pesquisa, realizada entre agosto de 2025 e abril de 2026 com 2.404 escolas públicas e privadas de todo o Brasil, mostra que o uso de IA generativa cresce conforme a faixa etária. Entre os alunos do Ensino Médio com acesso à internet, 70% já usam IA para fins escolares. Nos anos finais do Ensino Fundamental, o índice cai para 39%, e nos anos iniciais, para 15%.

O dado mais preocupante, porém, é a disparidade entre uso e orientação: enquanto a maioria dos estudantes do Ensino Médio já recorre à IA no dia a dia, apenas 3 em cada 10 alunos receberam algum tipo de instrução da escola sobre como usar essas ferramentas com segurança e responsabilidade.

Escolas ainda não definiram regras claras

Segundo o CETIC.br, apenas 37% das escolas brasileiras permitem formalmente o uso de IA generativa em atividades educacionais dos alunos. Entre as escolas de Ensino Médio, esse número sobe para 52% — ainda assim, menos da metade das instituições.

A situação regulatória é igualmente precária: somente 22% dos gestores escolares afirmam que sua instituição possui um guia de orientações para o uso de IA no ensino, na aprendizagem ou na gestão. As discussões sobre regras avançaram — passando de 40% das escolas em 2024 para 60% em 2025 —, mas a elaboração de orientações práticas não acompanhou esse ritmo.

De acordo com o estudo qualitativo complementar do CETIC.br, professores e alunos utilizam IA sem mediação, sem supervisão e sem regras instituídas pelas escolas ou por outras instâncias.

O que dizem os dados sobre professores e gestores

Os docentes também estão inseridos nessa realidade: 58% dos professores já utilizam ferramentas de IA generativa em suas atividades escolares. Entre os gestores, o índice chega a 53%, com usos que vão desde a criação de comunicados (80%) até a análise de dados de desempenho dos alunos (51%).

A pesquisa aponta ainda que mais de 50% das escolas que não realizam iniciativas de educação digital citam a falta de habilidades dos professores como principal barreira. A ausência de materiais pedagógicos afeta 77% das escolas, e a falta de apoio às redes de ensino prejudica 45% das instituições.

O que muda na prática para o professor

Os dados da TIC Educação 2025 reforçam uma demanda urgente: professores precisam receber formação específica sobre IA antes de orientar seus alunos. A ausência de diretrizes institucionais transfere ao docente toda a responsabilidade por um tema que exige debate coletivo, política pública e suporte pedagógico adequado.

O MEC publicou um documento orientador sobre inteligência artificial na educação básica, com princípios de privacidade, segurança e bem-estar dos estudantes. Iniciativas como cursos no Avamec também estão disponíveis. Mas, como mostram os dados do CETIC.br, há um longo caminho entre a publicação de orientações e sua chegada efetiva à sala de aula.

Se sua escola ainda não discutiu regras para o uso de IA, vale pautar o tema na próxima reunião pedagógica. Os dados completos da pesquisa estão disponíveis no site oficial: cetic.br/pt/pesquisa/educacao.