O Brasil ultrapassou a marca de 100 mil escolas públicas com internet gratuita e de qualidade em 2026, conforme anúncio do Ministério das Comunicações em maio. O programa Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC) — coordenado em conjunto pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério das Comunicações — é o responsável pela conquista. O país está a um passo de cumprir a meta de universalizar a conexão em toda a rede de educação básica até o final de dezembro de 2026.

O que é o programa Escolas Conectadas?

A Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC) foi lançada em 2023 com o objetivo de garantir internet de qualidade nas mais de 138 mil escolas públicas de educação básica do Brasil. O programa vai além da simples conexão: integra formação de professores para o uso pedagógico da tecnologia, acesso a recursos educacionais digitais e orientações de gestão escolar para aproveitar as ferramentas disponíveis.

O investimento total previsto é de R$ 8,8 bilhões, dos quais R$ 6,5 bilhões vêm do eixo "Inclusão Digital e Conectividade" do Novo PAC. A estratégia prevê conexão via fibra óptica nas localidades com cobertura disponível e via satélite para escolas rurais e em regiões de difícil acesso, para que nenhuma escola fique de fora.

Evolução dos números em 2026

Em janeiro de 2026, o Ministério das Comunicações divulgou os dados do ano anterior: em 2025, o programa Escolas Conectadas havia chegado a 94.221 escolas, correspondendo a 68,4% da rede pública nacional. O avanço foi expressivo em relação ao ano anterior, mas ainda deixava quase um terço das escolas sem conexão adequada.

Em abril de 2026, o número saltou para 100.720 unidades escolares — cerca de 73% do total. Pouco depois, em maio, o governo federal anunciou oficialmente que o Brasil havia ultrapassado a marca de 100 mil escolas com internet gratuita e de qualidade, segundo o portal Educação Conectada do MEC. O MEC apresentou, em abril de 2026, as orientações para o novo ciclo de conectividade, com metas por estado e estratégias específicas para alcançar as escolas ainda sem cobertura.

Por que a internet na escola importa para o professor?

A conexão de qualidade é a base para que o professor possa usar plataformas de aprendizagem, acessar o acervo do PNLD Digital (com mais de 3 mil livros gratuitos online), exibir videoaulas e realizar avaliações online. Sem internet estável, ferramentas como essas ficam inacessíveis no dia a dia de sala de aula.

A conexão também é o pré-requisito para o uso responsável de inteligência artificial no ensino. Em maio de 2026, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou diretrizes que orientam o uso de IA nas escolas — mas a aplicação prática dessas diretrizes depende diretamente de acesso à internet.

Além disso, a internet na escola impacta a formação continuada do professor. Cursos no Portal Mais Professores do MEC, plataformas de especialização e os sistemas online das secretarias de educação — para registro de frequência, planejamento e diário escolar — exigem conexão. Para professores em escolas ainda desconectadas, essa barreira é cotidiana.

O que falta e como acompanhar

Com pouco mais de 100 mil escolas conectadas de um total de 138 mil, restam cerca de 38 mil unidades escolares — aproximadamente 27% da rede — ainda aguardando conexão. São, na maioria, escolas rurais, quilombolas, indígenas e em municípios de menor porte, onde a infraestrutura de telecomunicações ainda é precária.

O MEC e o Ministério das Comunicações mantêm o portal Educação Conectada, onde é possível acompanhar o mapa atualizado de escolas conectadas por estado e município. Professores e gestores que identificarem problemas de conexão já instalada — como lentidão, instabilidade ou falta de sinal — podem acionar a secretaria estadual ou municipal de educação para registrar a ocorrência e cobrar o cumprimento do contrato firmado com a operadora.

Para o professor que ainda aguarda a chegada da internet à sua escola, o prazo é este ano: o governo federal assumiu o compromisso público de universalizar a conectividade nas escolas públicas de educação básica até dezembro de 2026. A partir daí, não haverá mais justificativa para que qualquer escola do país funcione sem esse recurso que já é essencial para o trabalho docente.