O Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) formalizou a destinação de R$ 200 mil para o Projeto Saberes Indígenas, programa de formação continuada voltado a professores e educadores que atuam em escolas do Território Etnoeducacional Cinta Larga, no estado de Mato Grosso. As atividades tiveram início em 10 de agosto de 2026 e se estendem até 30 de junho de 2027, em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), do Ministério da Educação.

O que é o Projeto Saberes Indígenas

O Projeto Saberes Indígenas é uma ação de extensão do IFMT que tem como missão oferecer cursos de formação continuada a professores indígenas, especialmente àqueles que atuam em territórios etnoeducacionais com histórico de carência de apoio pedagógico especializado.

O Território Etnoeducacional Cinta Larga abrange municípios do leste de Mato Grosso, como Aripuanã, Juína e Juruena, onde vivem comunidades do povo Cinta Larga — um dos grupos indígenas mais expressivos da região amazônica. Muitos dos professores que atuam nessas escolas são da própria comunidade e enfrentam desafios específicos, como a necessidade de ensinar em língua materna ao mesmo tempo em que preparam os alunos para o mundo externo.

Segundo o IFMT, os recursos de R$ 200 mil serão aplicados em apoio administrativo, logística, material didático e infraestrutura necessária para viabilizar os cursos ao longo de quase um ano letivo.

Como funciona a formação e para quem é

A formação é direcionada a professores e educadores que já atuam em sala de aula nas escolas indígenas do Território Cinta Larga. O conteúdo abrange práticas pedagógicas interculturais, valorização da cultura e da língua indígena, além de metodologias adaptadas para contextos de educação escolar indígena — modalidade regulada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB/1996) e pela Resolução CNE/CEB n.º 5/2012.

A parceria com a Secadi é central para o projeto. A secretaria coordena, em nível nacional, as políticas de educação escolar indígena, incluindo o repasse de recursos para instituições que desenvolvem formação específica para essa modalidade. O IFMT, como instituição federal presente em Mato Grosso, é um dos executores credenciados para esse tipo de ação.

Por que essa formação é diferente para o professor indígena

Os docentes que atuam em escolas indígenas têm direitos e desafios específicos previstos em lei. A LDB garante às comunidades indígenas educação escolar bilíngue e intercultural. Isso exige que o professor domine, ao mesmo tempo, os conteúdos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os saberes tradicionais da comunidade.

Muitos desses professores exercem a função com contratos temporários ou sem formação inicial adequada — cenário que o Projeto Saberes Indígenas busca mitigar por meio da formação continuada em serviço. Isso significa que o professor aprende enquanto trabalha, sem precisar se deslocar para centros urbanos distantes, o que reduz significativamente as barreiras geográficas comuns nas regiões do interior do estado.

Além disso, o reconhecimento formal das horas de formação pode contribuir para a progressão na carreira docente nas redes estadual e municipal, conforme a regulamentação local do plano de cargos e salários.

O que muda na prática para o professor

Para os professores alcançados pelo Projeto Saberes Indígenas, a iniciativa representa acesso a capacitação profissional sem custo, dentro do próprio território onde vivem e trabalham. O material didático, a logística e a infraestrutura serão custeados com os R$ 200 mil repassados pelo IFMT, eliminando as barreiras financeiras que costumam afastar esses profissionais de programas convencionais de formação.

As atividades seguem até 30 de junho de 2027, período suficiente para ao menos um ciclo completo de formação. Professores que desejam mais informações sobre o programa podem acessar o site do IFMT ou consultar o portal da Secadi no MEC, onde estão disponíveis orientações sobre todos os programas de educação escolar indígena mantidos pelo governo federal.