A rede estadual de ensino de Mato Grosso chegou a 252 Escolas Estaduais Cívico-Militares (EECMs) após a aprovação, em consultas realizadas nos dias 8 e 9 de junho de 2026, de mais 24 novas unidades. O modelo já alcança cerca de 40% das 631 escolas estaduais em funcionamento no estado, superando antes do prazo a meta estabelecida pelo governo estadual para o fim de 2026.

Como funcionam as escolas cívico-militares

Nas EECMs, a gestão pedagógica permanece integralmente sob responsabilidade dos diretores, coordenadores e professores da rede, seguindo as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O currículo, o planejamento das aulas e as avaliações continuam sendo definidos e executados pelos docentes, sem alteração da estrutura de carreira ou das atribuições pedagógicas do professor.

O que diferencia essas unidades é a presença de militares da reserva em atividades de apoio à disciplina e à gestão administrativa. Conforme divulgado pela Seduc-MT, esses profissionais atuam na organização do ambiente escolar, no controle de acesso, no apoio às rotinas internas e na promoção de atividades cívicas — sempre em caráter complementar ao trabalho do corpo docente, reforçando valores como disciplina, respeito e hierarquia.

Quantos alunos e escolas estão no modelo

Com a expansão, o total de estudantes matriculados nas EECMs e nas Escolas Estaduais Militares de Mato Grosso chega a 194.463 — sendo 172.883 nas unidades cívico-militares e 21.580 nas unidades militares. Esse número representa aproximadamente 58% dos 333.958 alunos da rede estadual.

As 252 unidades correspondem a quase 40% das escolas estaduais ativas do estado. O índice já superou a meta originalmente estabelecida pelo governo de Mato Grosso para ser alcançada até o final de 2026, o que indica que a expansão deve continuar nos próximos meses.

Novas consultas previstas para os dias 16 e 17 de junho

A conversão de uma escola estadual para o modelo cívico-militar não é feita de forma unilateral: o processo inclui uma consulta à comunidade escolar — pais, responsáveis, estudantes, professores e funcionários — antes da oficialização da mudança. As 24 novas unidades aprovadas neste mês passaram exatamente por esse procedimento nos dias 8 e 9 de junho.

O calendário de consultas segue avançando. Novas votações estão programadas para os dias 16 e 17 de junho em outras unidades estaduais. Entre as escolas que entram em consulta estão a EE José Ângelo dos Santos, em Barra do Garças, e a EE Kreen Akorore, em Guarantã do Norte. A lista completa de escolas em processo de adesão pode ser acompanhada no portal da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT).

O que muda na prática para o professor

Para os docentes que já atuam em unidades convertidas — ou que podem vir a atuar — a mudança mais direta diz respeito ao cotidiano escolar. A disciplina e os espaços comuns passam a contar com a presença de militares da reserva, o que altera a dinâmica de gestão do ambiente fora da sala de aula. Dentro da sala, porém, a autonomia pedagógica do professor permanece intacta.

A responsabilidade pelo planejamento das aulas, pelo relacionamento com os alunos em contexto de aprendizagem e pelo cumprimento do currículo continua sendo inteiramente do professor, como determina a BNCC. Com 58% dos alunos da rede estadual já matriculados nessas unidades, entender como funciona o modelo cívico-militar deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade concreta para quem trabalha — ou pretende trabalhar — nas escolas estaduais de Mato Grosso.