A rede estadual de Mato Grosso chegou a 227 escolas com gestão cívico-militar em maio de 2026, superando a meta de 200 unidades prevista pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) para o ano. As quatro unidades mais recentemente aprovadas ficam nos municípios de Araputanga, Alta Floresta, Sinop e Sorriso, tornando Mato Grosso o estado com a maior rede de escolas cívico-militares estaduais do Brasil.
O que é o modelo cívico-militar
No modelo cívico-militar adotado pela Seduc-MT, a escola mantém toda a sua estrutura de ensino, mas passa a contar com militares da reserva atuando na gestão administrativa e nas ações de disciplina escolar. A função desses profissionais é focada no apoio à organização: controle de entrada e saída de alunos, monitoramento de pátio e corredores, cumprimento de regras de conduta, atividades cívicas e transmissão de valores como disciplina e hierarquia.
O currículo continua seguindo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e toda a gestão pedagógica permanece sob responsabilidade dos profissionais da educação: diretores, coordenadores pedagógicos e professores civis da rede estadual.
O papel do professor nas escolas cívico-militares
Para o docente, a principal diferença está no ambiente escolar. Com militares da reserva atuando na disciplina fora da sala de aula, a escola tende a registrar menor índice de conflitos no pátio, favorecendo um contexto mais organizado para o trabalho pedagógico.
Dentro da sala de aula, a autonomia do professor é total: ele define o planejamento, os critérios de avaliação, a progressão de conteúdos e as metodologias. Os profissionais militares não interferem nas decisões de ensino-aprendizagem. Segundo a Seduc-MT, a gestão pedagógica segue integralmente nas mãos da equipe civil, vinculada à BNCC e ao projeto político-pedagógico de cada unidade.
Como uma escola adere ao modelo
A adesão ao modelo cívico-militar não é imposta pela secretaria. Para que uma escola ingresse no programa, é obrigatória a realização de audiência pública e votação direta com pais, alunos, professores e servidores da unidade. A Seduc-MT considera critérios como vulnerabilidade social, índices de evasão escolar e condições de segurança no entorno para definir quais escolas são aptas a participar do processo.
As quatro unidades aprovadas na rodada mais recente foram:
- Escola Estadual João Sato — Araputanga
- Escola Estadual 19 de Maio — Alta Floresta
- Escola Estadual Professora Edeli Mantovani — Sinop
- Escola Estadual Arão Gomes Bezerra — Sorriso
O que muda na prática para o professor de MT
Com 227 unidades no modelo, praticamente uma em cada quatro escolas estaduais de Mato Grosso já opera com a gestão compartilhada. Para professores que atuam ou serão lotados nessas unidades, é importante conhecer as regras:
- Contrato e regime: permanecem os mesmos da rede estadual comum, sem mudança de cargo ou vínculo empregatício;
- Jornada: segue as regras gerais da Seduc-MT, sem alteração específica pelo modelo;
- Progressão na carreira: os critérios de avaliação de desempenho docente e as promoções no plano de carreira do magistério estadual não mudam;
- Autonomia pedagógica: integralmente mantida — o professor decide conteúdo, metodologia e avaliação.
Para professores recém-convocados pelo cadastro de reserva da Seduc-MT, vale verificar a unidade de lotação antes de assumir. Com mais de 227 escolas cívico-militares em aproximadamente 970 unidades estaduais, a chance de ser designado para uma dessas escolas é considerável. Mais informações sobre o programa e a lista de escolas participantes estão no portal da Seduc-MT.




Comentários
Faça login para comentar nesta notícia.