Mato Grosso ampliou mais uma vez sua rede de Escolas Estaduais Cívico-Militares. Após consultas populares realizadas nos dias 16 e 17 de junho de 2026, outras 11 unidades foram aprovadas pela comunidade escolar, levando o estado a um total de 263 escolas nesse modelo. O número representa 41,7% das 631 escolas estaduais em funcionamento e supera a meta oficial do Governo do Estado, que previa 205 unidades até o fim do ano.

Como chegamos a 263 escolas

O avanço foi gradual ao longo de 2026. Em 8 e 9 de junho, 24 novas unidades já haviam sido aprovadas, levando o total a 252 escolas. Pouco mais de uma semana depois, nas consultas de 16 e 17 de junho, outras 11 escolas receberam aprovação da comunidade:

  • EE José Ângelo dos Santos – Barra do Garças
  • EE Kreen Akorore – Guarantã do Norte
  • EE Bacharel Ribeiro de Arruda – Poconé
  • EE Dom Vunibaldo – Juscimeira
  • EE Rodolfo Augusto Trechaud Curvo – Cuiabá
  • EE Dona Rosa Friger Piovezan – Comodoro
  • EE Coronel Jerônimo Gomes da Silva – Araguaiana
  • EE Tancredo Neves – Nova Nazaré
  • EE Padre Thiago – Mirassol D'Oeste
  • EE Lourenço Peruchi – São José dos Quatro Marcos
  • EE Deputado Dormevil Faria – Pontes e Lacerda

Segundo a Secretaria de Estado de Educação do Mato Grosso (Seduc-MT), o modelo cívico-militar já atende 180.336 estudantes, o equivalente a 54% dos alunos matriculados na rede estadual.

O que é o modelo cívico-militar

No modelo cívico-militar, profissionais das Forças Armadas ou das Polícias Militares atuam em paralelo ao corpo docente, mas com funções restritas ao suporte administrativo e disciplinar: organização do ambiente escolar, controle de acesso, promoção de atividades cívicas e reforço de valores como respeito e responsabilidade.

A gestão pedagógica permanece inteiramente nas mãos dos diretores, coordenadores e professores civis. O conteúdo das aulas segue as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), sem interferência dos militares no planejamento de aulas ou avaliações.

O que muda na prática para o professor

Para os docentes que já atuam ou que venham a trabalhar nessas 263 escolas, a principal mudança é o ambiente: a presença de militares cria uma rotina mais rígida de entrada, saída e circulação de alunos. O professor, porém, mantém autonomia total dentro da sala de aula.

Não há alteração na contratação, no salário nem na jornada de trabalho. A progressão na carreira e os direitos trabalhistas seguem as mesmas regras da rede estadual. O que se espera, segundo a Seduc-MT, é que a disciplina reforçada pelo modelo reduza conflitos e crie condições mais favoráveis ao aprendizado.

Meta superada, expansão continua

A meta inicial do Governo do Estado era converter 205 escolas ao modelo cívico-militar até o final de 2026. Com as aprovações de junho, o número já está em 263 — quase 30% acima do objetivo. O processo de adesão segue voluntário: cada escola passa por consulta com pais, responsáveis e alunos antes de aderir.

Para o professor de Mato Grosso, o cenário prático é que mais da metade das escolas estaduais já opera nesse formato. Quem busca vaga via concurso ou processo seletivo da Seduc-MT tem grande probabilidade de atuar em uma unidade cívico-militar, e conhecer as especificidades do modelo pode fazer diferença na adaptação ao novo ambiente de trabalho.