A partir de 2026, os alunos do 2º ano do ensino médio das redes pública e privada de todo o Brasil passam a estudar com o currículo reformulado pela Lei 14.945, sancionada em 31 de julho de 2024. A mudança é gradual e afeta uma série por vez: o 1º ano iniciou o novo modelo em 2025, o 2º ano se adequa agora e o 3º ano completa a transição em 2027. Para professores que atuam no ensino médio, compreender essa reforma é indispensável para planejar o segundo semestre com segurança.

O que a Lei 14.945/2024 mudou no ensino médio

A lei revisou o modelo implantado pela Reforma do Ensino Médio de 2017 e organizou a carga horária total em 3.000 horas ao longo dos três anos, divididas em dois blocos com objetivos distintos.

O primeiro bloco é a Formação Geral Básica (FGB), com 2.400 horas de disciplinas obrigatórias para todos os alunos. Uma das mudanças mais importantes é o retorno de Filosofia e Sociologia como componentes curriculares obrigatórios nas três séries do ensino médio — algo que havia sido suprimido no modelo anterior. Português, Matemática, História, Geografia, Ciências da Natureza, Arte e Educação Física também seguem presentes na FGB.

O segundo bloco são os Itinerários Formativos de Aprofundamento, com 600 horas dedicadas ao aprofundamento do aluno em uma área de conhecimento de seu interesse. Ao contrário do modelo anterior, que previa cinco trilhas amplas, os novos itinerários devem estar diretamente ligados às grandes áreas — Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Formação Técnica e Profissional.

As diretrizes curriculares podem ser consultadas no site do Ministério da Educação.

Cronograma de implementação por série

A transição foi planejada para não impactar todas as turmas ao mesmo tempo. Em 2025, apenas os alunos que ingressaram no 1º ano conviveram com o novo modelo. Em 2026, esses mesmos alunos chegam ao 2º ano e os novos ingressantes do 1º ano também já entram no sistema reformulado. As turmas de 3º ano ainda seguem as regras antigas e só mudarão em 2027.

Isso significa que, neste momento, as escolas convivem com dois modelos curriculares ao mesmo tempo: as turmas de 3º ano no formato anterior e as de 1º e 2º anos no novo formato. O desafio para a gestão pedagógica é garantir que ambos os grupos tenham acompanhamento adequado.

Itinerários formativos: o que mudou com o Pnifa

Em abril de 2025, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou os Parâmetros Nacionais de Oferta dos Itinerários Formativos de Aprofundamento (Pnifa). O objetivo foi dar mais coerência nacional ao que cada escola pode oferecer como itinerário, evitando que conteúdos sem vínculo com as áreas de conhecimento sejam apresentados como trilhas formativas.

Segundo o MEC, os itinerários aprovados no âmbito do Pnifa devem aprofundar os conteúdos da FGB e não substituí-los. A ideia é que o aluno que escolhe o itinerário de Ciências da Natureza, por exemplo, tenha uma experiência mais densa nessa área, o que também orienta o professor responsável pelo acompanhamento a atuar de forma mais focada.

O que muda na prática para o professor de ensino médio

Com o novo modelo, o professor do ensino médio precisa rever a forma como planeja e conduz as aulas. As orientações pedagógicas apontam para algumas mudanças concretas no cotidiano escolar.

Trabalho colaborativo entre disciplinas: os itinerários formativos exigem que professores de diferentes áreas planejem juntos. Um itinerário de Ciências Humanas, por exemplo, pode envolver professores de História, Geografia e Filosofia trabalhando em conjunto em projetos interdisciplinares.

Metodologias ativas: o novo modelo incentiva práticas pedagógicas que coloquem o aluno no centro — projetos temáticos, pesquisas orientadas, aprendizagem baseada em problemas e situações-problema do cotidiano. O professor atua mais como mediador do que como transmissor de conteúdo.

Atenção individualizada: como os alunos podem escolher itinerários diferentes, o professor que acompanha esses percursos precisa estar atento ao ritmo e às necessidades de cada grupo dentro da mesma escola.

Planejamento integrado com a FGB: a conexão entre os conteúdos obrigatórios da Formação Geral Básica e os aprofundamentos dos itinerários não acontece de forma automática. Cabe ao professor e à equipe pedagógica construir essa ponte para que o aluno perceba o sentido do que aprende em cada bloco.

Para professores que quiserem se preparar melhor para as mudanças, o MEC disponibiliza cursos gratuitos pelo Portal Mais Professores, com formação continuada voltada especificamente às novas diretrizes curriculares. Com o 2º ano iniciando agora a transição, este é o momento de revisar planejamentos, alinhar com a coordenação pedagógica e entender como a escola está organizando a oferta dos itinerários formativos para este segundo semestre.