A partir do ano letivo de 2026, a 2ª série do ensino médio passou a seguir as novas regras do Novo Ensino Médio em todo o país, com aumento da carga horária da formação geral básica e mudanças nos itinerários formativos. A transição, prevista pela Lei 14.945/2024 e por resoluções do Conselho Nacional de Educação (CNE), já é sentida nas escolas públicas e privadas — e em Mato Grosso a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) aproveita o momento para ampliar a oferta de educação profissional e técnica na rede estadual.

O que muda na carga horária do Novo Ensino Médio

A Lei 14.945/2024 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e elevou a carga horária da Formação Geral Básica — as disciplinas comuns como Português, Matemática, História e Educação Física — de 1.800 para 2.400 horas ao longo dos três anos do ensino médio. Em compensação, a parte flexível do currículo, os chamados itinerários formativos, caiu de 1.200 para um mínimo de 600 horas. A carga horária total mínima da etapa permanece em 3.000 horas.

As regras estão detalhadas na Resolução CNE/CEB nº 2, de 13 de novembro de 2024, que instituiu as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM). Já a Resolução CNE/CEB nº 4, de 12 de maio de 2025, estabeleceu os parâmetros nacionais para a oferta dos Itinerários Formativos de Aprofundamento (IFAs).

Cronograma: 2ª série entra na regra em 2026

A implementação acontece em etapas: a 1ª série do ensino médio já seguia o novo modelo desde 2025, a 2ª série passa a ser obrigatoriamente incluída em 2026, e a 3ª série entra na regra em 2027. Algumas redes estaduais optaram por antecipar a mudança para todas as séries já em 2025, caso de Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco, Goiás, Pará e do Distrito Federal. Quem está na 2ª série pela primeira vez neste ano letivo, portanto, já está sob o novo currículo nacional.

Itinerários formativos: cada escola precisa oferecer ao menos duas opções

Pelas novas diretrizes do CNE, em comunicado divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), todas as escolas, públicas ou privadas, precisam oferecer pelo menos duas opções de itinerário formativo aos estudantes, respeitando interesses, identidades e projetos de vida da turma. Os itinerários são organizados por áreas do conhecimento — Linguagens e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, além da Formação Técnica e Profissional.

Mato Grosso amplia educação profissional dentro do Novo Ensino Médio

Em Mato Grosso, a Seduc-MT informa, em nota publicada no site oficial da secretaria, que a meta é abrir 15 mil novas vagas de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) até 2026, o que deve elevar para 22,2% a proporção de matrículas do ensino médio estadual vinculadas a essa modalidade. A expansão deve beneficiar estudantes de 108 dos 142 municípios do estado.

A secretaria também mantém parceria com o Senai que prevê, até 2026, 33 mil vagas distribuídas entre 12,5 mil matrículas no Novo Ensino Médio, 20 mil em cursos de qualificação profissional e 500 no técnico concomitante. A aposta da rede estadual é usar os itinerários formativos como porta de entrada para a formação técnica.

Na prática, para o professor da 2ª série, a mudança significa rever planos de aula considerando a nova divisão de carga horária entre componentes obrigatórios e itinerários, além de acompanhar como a escola vai organizar as opções de aprofundamento exigidas pela legislação. Quem leciona em Mato Grosso também deve ficar atento à expansão da oferta técnica, que pode abrir novas turmas e demandar formação continuada nas escolas da rede estadual.