O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Rio Grande do Sul (Cpers) aprovou por unanimidade, em assembleia geral realizada na semana de 18 de junho de 2026, uma paralisação estadual para o dia 26 de junho — a mesma data em que o governo gaúcho pretendia realizar o leilão de 98 escolas estaduais na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). A mobilização é uma resposta direta ao projeto de Parceria Público-Privada (PPP) anunciado pelo governador Eduardo Leite (PSD).

O que é a PPP da Infraestrutura Escolar do RS

O projeto prevê a concessão da gestão de infraestrutura e de serviços não pedagógicos de 98 escolas estaduais a uma empresa privada por 25 anos. As unidades estão distribuídas em 15 municípios: Alvorada, Bento Gonçalves, Cachoeirinha, Canoas, Caxias do Sul, Cruz Alta, Gravataí, Novo Hamburgo, Pelotas, Porto Alegre, Rio Grande, Santa Maria, São Leopoldo, Sapucaia do Sul e Viamão. Juntas, essas escolas atendem cerca de 60.568 alunos da rede estadual.

Segundo o Portal do Governo do RS, os serviços que passariam à iniciativa privada incluem reforma e requalificação estrutural das escolas, além de limpeza, alimentação e segurança — o chamado rol de serviços não pedagógicos. O investimento anual do Estado seria de R$ 93,1 milhões, totalizando aproximadamente R$ 4,5 bilhões ao longo de todo o contrato de concessão.

Por que professores e educadores estão contra

A principal preocupação da categoria é a fronteira entre o que é "não pedagógico" e o que afeta diretamente o trabalho docente dentro da escola. Professores questionam como conviver com um gestor privado de serviços dentro da escola pública e temem que a mudança abra brechas para cobranças ou taxas hoje inexistentes nas unidades gratuitas.

Um estudo técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontou inconsistências no modelamento econômico-financeiro do projeto. A conclusão foi que cada escola custaria até cinco vezes mais aos cofres públicos com a parceria privada do que no modelo atual. Vale lembrar que as 98 escolas representam apenas cerca de 4% de toda a rede estadual do Rio Grande do Sul.

Atos e manifestações foram realizados em Porto Alegre e em Pelotas no dia 18 de junho, reunindo educadores, estudantes e famílias. A assembleia geral do Cpers convocou a categoria a reforçar a luta no dia da greve, 26 de junho.

Leilão foi adiado, mas mobilização segue

Após a pressão dos professores e da comunidade escolar, o governo do Rio Grande do Sul alterou as datas originais. O prazo para envio de propostas foi transferido para 16 de julho e o leilão foi remarcado para 23 de julho de 2026, na B3 em São Paulo. Mesmo com o adiamento, o Cpers manteve a paralisação para o dia 26 de junho, sinalizando que a mobilização vai além da data do leilão e que a categoria exige o cancelamento do projeto.

O que muda na prática para o professor

É importante deixar claro: a PPP não altera o vínculo empregatício dos professores concursados, que continuam como servidores públicos estaduais. O que muda é a gestão da infraestrutura física da escola, que passaria para uma empresa privada por 25 anos. Na prática, o professor passaria a conviver no mesmo espaço com funcionários de uma empresa terceirizada responsável pela conservação, limpeza e alimentação. Os sindicatos alertam que essa convivência pode gerar conflitos de gestão no dia a dia escolar. Se você é professor da rede estadual gaúcha, acompanhe os comunicados do Cpers e participe das assembleias para se manter informado sobre os próximos passos.