Os professores das universidades e institutos federais receberam, a partir de maio de 2026, o reflexo do segundo reajuste previsto no acordo firmado com o governo federal em 2024: uma correção linear de 3,5%, com vigência retroativa a 1º de abril. A medida beneficia docentes enquadrados nas carreiras de Magistério Superior (MS) e de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) em todo o país — de Mato Grosso ao Maranhão, passando pelas instituições da capital federal.
O acordo de 2024 e as duas parcelas do reajuste
Em maio de 2024, o governo federal assinou acordos com o PROIFES-Federação (em 27 de maio) e com o ANDES-Sindicato Nacional (em 27 de junho), estabelecendo dois ciclos de reajuste linear para os docentes das instituições federais de ensino:
- Janeiro de 2025: reajuste linear de 9%
- Abril de 2026: reajuste linear de 3,5%
O objetivo declarado pelo Ministério da Educação foi compensar a defasagem salarial acumulada desde 2019 e modernizar a estrutura de progressão dentro da carreira docente federal. O pagamento com os novos valores foi processado na folha de maio de 2026, com retroatividade a 1º de abril, conforme confirmado pelas associações docentes.
Progressão de carreira (steps) também fica mais atrativa
Além do reajuste linear, o acordo trouxe mudanças nos percentuais de progressão por nível dentro da carreira — os chamados steps. Em 2026, os professores adjuntos e associados nos níveis 2, 3 e 4 do Magistério Superior, assim como os equivalentes no EBTT (categorias DIII e DIV nos mesmos níveis), passaram a progredir com acréscimo de 5% ao avançar de nível, ante 4,5% que vigorava em 2025.
Na prática, isso significa que cada avanço horizontal ou vertical na carreira gera um salto salarial um pouco maior do que ocorria no ano anterior. Professores que concluírem o interstício e avançarem de nível ao longo de 2026 serão diretamente beneficiados por essa mudança, independentemente do reajuste linear.
Benefícios complementares também foram reajustados
O pacote negociado em 2024 incluiu, ainda, correções nos benefícios dos docentes federais. Segundo informações divulgadas pelas associações docentes, as principais mudanças foram:
- Auxílio-alimentação: valor atualizado para R$ 1.175 (alta de 7,5%)
- Auxílio pré-escolar: teto elevado para R$ 484,90 (acréscimo de 51,05%)
- Assistência à saúde suplementar: também reajustada dentro do mesmo período
Esses valores impactam diretamente o total recebido mensalmente, especialmente para professores que têm filhos pequenos ou que dependem do plano de saúde vinculado ao cargo.
O quanto os salários cresceram desde 2019
Para dimensionar o avanço acumulado, a ADUFRGS (Associação dos Docentes da UFRGS) publicou exemplos concretos comparando 2019 com os valores pós-reajuste de 2026. Um professor titular com doutorado em regime de Dedicação Exclusiva recebia R$ 20.530,01 em 2019 e passou a receber R$ 26.326,76 com o reajuste vigente. Já um docente no início da carreira, nas mesmas condições — doutorado e Dedicação Exclusiva —, saiu de R$ 9.616,18 para R$ 13.753,94 no mesmo período.
O crescimento acumulado varia entre 28% e 43% dependendo do nível e da classe, combinando os efeitos dos reajustes lineares com a reestruturação dos steps.
O que ainda falta: URP e os próximos passos
Apesar dos avanços obtidos nas últimas negociações, parte das categorias mantém a mobilização. Em assembleia realizada no dia 30 de junho de 2026, os professores da Universidade de Brasília (UnB) decidiram manter o indicativo de greve e aprovaram novas articulações com entidades nacionais em defesa da incorporação da URP — Unidade de Referência de Preço. Trata-se de um passivo salarial que remonta a 1987 e que as categorias consideram ainda não devidamente incorporado às tabelas federais. Segundo o Brasil de Fato, a categoria aprovou articulações com entidades nacionais para fortalecer a pressão junto ao governo.
O acordo vigente não prevê novos reajustes lineares após a parcela de abril de 2026. Isso significa que qualquer correção adicional dependerá de novas rodadas de negociação com o governo federal. Para o professor das universidades e institutos federais, o recado prático é este: confira se o reajuste de 3,5% aparece corretamente na sua folha de maio ou junho, verifique se você já tem direito à próxima progressão de nível e acompanhe os comunicados da sua associação docente local (filiada ao ANDES ou ao PROIFES) para participar das mobilizações que definirão os reajustes dos próximos anos.




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