O governo do Paraná enviou à Assembleia Legislativa do Estado (Alep), na segunda-feira (26 de junho), um projeto de lei que prevê reajuste salarial de até 11,31% para os professores da rede estadual de ensino. O Projeto de Lei Complementar 6/2025, encaminhado pelo governador Ratinho Júnior (PSD), contempla os 68 mil professores ativos e os 40 mil inativos da rede — um universo de cerca de 108 mil profissionais do magistério paranaense.
O que o PLC 6/2025 prevê para o salário do professor
A proposta atualiza a tabela salarial base do magistério estadual com aumento de até R$ 500 por professor. Nas classes iniciais da carreira, esse incremento representa um reajuste de até 11,31%. Com a mudança, o menor salário para quem trabalha 40 horas semanais sobe para R$ 6,6 mil — valor que já considera os benefícios pagos atualmente pela rede estadual.
Atualmente, além do vencimento base, os professores paranaenses recebem auxílio-transporte de R$ 891,32 e auxílio-tecnologia e educação de R$ 846,32. O reajuste previsto no PLC incide sobre o vencimento base, e esses auxílios permanecem inalterados. Para quem trabalha 20 horas semanais, o aumento na tabela chega a até R$ 250.
Impacto financeiro e quem é beneficiado
O custo estimado da medida é de R$ 456 milhões por ano para os cofres do Estado. A proposta abrange professores ativos e aposentados, com uma ressalva importante: a APP-Sindicato, que representa os educadores das redes pública estadual e municipais, alertou que cerca de 11 mil professores inativos ficarão sem paridade integral — ou seja, não terão reajuste na mesma proporção dos que ainda estão em exercício.
Segundo a Agência de Notícias do Governo do Paraná, a proposta se soma ainda à nomeação de mais de 3,4 mil profissionais realizada nos últimos meses, o que amplia o quadro docente da rede estadual.
Meses de pressão da categoria antecederam o envio
O PLC chegou à Alep depois de uma longa negociação entre o governo e a APP-Sindicato. Em março de 2026, os educadores aprovaram estado de greve e ameaçaram paralisar as aulas a partir do dia 23 caso o governo não avançasse na reformulação da carreira. A mobilização foi suspensa após o executivo estadual se comprometer a encaminhar propostas à assembleia.
Em junho, a categoria voltou à pressão. Nos dias 15 e 16, professores e funcionários de escola foram pessoalmente à Alep visitar gabinetes de deputados e cobrar os projetos prometidos. Após reuniões com a Casa Civil, o governo se comprometeu a enviar o plano até 20 de junho — e formalizou o envio do PLC no dia 26 de junho, pronto para votação em plenário.
A oposição na Alep critica o percentual como insuficiente para repor as perdas salariais acumuladas pelos docentes paranaenses ao longo dos últimos anos. A APP-Sindicato mantém o estado de alerta e acompanha a tramitação do projeto para garantir que a reformulação da carreira avance de forma mais ampla.
O que muda na prática para o professor paranaense
Caso o PLC 6/2025 seja aprovado em plenário e sancionado pelo governador, o reajuste deve entrar em vigor ainda em junho de 2026. Professores nos primeiros níveis da carreira com jornada de 40 horas semanais passarão a receber ao menos R$ 6.600 mensais, somando tabela salarial e auxílios. Professores com 20 horas terão um ganho adicional de até R$ 250 na tabela base.
Para os profissionais aposentados, o cenário é mais incerto: a maioria será contemplada, mas os cerca de 11 mil citados pelo sindicato precisarão acompanhar a votação final para saber se terão paridade plena com os ativos. A tramitação do PLC 6/2025 pode ser acompanhada pelo portal da Assembleia Legislativa do Paraná.




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