Os professores e servidores da rede municipal de educação de São Paulo encerraram a greve em 21 de junho de 2026, após 55 dias de paralisação. A categoria voltou às aulas imediatamente depois que a Prefeitura de São Paulo e as entidades sindicais da educação assinaram um Protocolo de Entendimento, garantindo reajuste salarial e proteção do bônus de desempenho dos profissionais.

O que o protocolo de encerramento garante

O acordo foi firmado entre as Secretarias Municipais de Gestão e de Educação e a COEDUC — Coordenação das Entidades Sindicais Específicas da Educação Municipal, formada por SINESP, SEDIN e SINPEEM. O Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (SINDSEP) e a APROFEM também participaram das negociações e assinaram o documento.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME-SP), o protocolo reafirma compromissos de valorização dos profissionais, regula a compensação dos dias não trabalhados durante a paralisação e garante que não haverá perda no Prêmio por Desempenho Educacional (PDE) — bônus calculado com base em frequência e resultados escolares. A proteção do PDE foi uma das principais exigências das entidades sindicais ao longo de toda a negociação, pois o benefício representa parcela relevante da remuneração anual dos professores.

Quanto vai receber o professor municipal de SP

Com o acordo, os professores passaram a receber reajuste de até 5,4% no nível inicial de carreira, com vigência a partir de maio de 2026. Um professor ingressante com jornada de 40 horas semanais passou a ganhar R$ 5.831,88, valor 13,7% acima do piso nacional do magistério de 2026, fixado em R$ 5.130,63 pelo governo federal no mesmo mês.

Para os demais servidores da educação municipal, o protocolo prevê reajuste de 2,55% referente à segunda parcela de 2025 mais 2% da primeira parcela de 2026, totalizando aproximadamente 4,6%. Há ainda possibilidade de acréscimo de mais 1,48% até o fim de 2026, condicionado ao cumprimento de metas fiscais do município. O auxílio-alimentação e o tíquete-refeição também foram corrigidos nas mesmas proporções.

Os dias de greve serão descontados?

Não haverá desconto no PDE nem corte direto em folha de pagamento. O protocolo determina que as horas não trabalhadas serão compensadas — os profissionais precisarão repor o período em datas a serem definidas com cada unidade escolar. Essa garantia foi uma das principais demandas dos sindicatos ao longo das negociações e assegura que a paralisação não vai penalizar a remuneração variável da categoria.

O caminho até o acordo: 55 dias de paralisação

A greve começou em 28 de abril de 2026. Em assembleia realizada em maio, a categoria rejeitou uma proposta de reajuste de 3,51% da Prefeitura, considerando o percentual insuficiente diante da inflação e da tramitação do novo piso nacional do magistério no Congresso Federal. Novas rodadas de negociação foram conduzidas ao longo de junho até o acordo ser concluído no dia 21.

A rede municipal de São Paulo é uma das maiores do Brasil. A resolução da paralisação significa que professores e alunos voltam ao calendário letivo antes do recesso de julho, sem necessidade de reformulação do segundo semestre.

Para o professor da rede municipal de São Paulo, o resultado prático é concreto: reajuste acima de 5%, manutenção do bônus de desempenho e retorno às aulas sem prejuízo ao calendário escolar. A negociação também serve de referência para docentes em outros municípios brasileiros ainda em processo de reajuste salarial em 2026.