A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) reuniu cerca de 3 mil professores de Matemática da rede estadual em Cuiabá, de 3 a 7 de agosto de 2026, em uma ampla jornada de formação continuada. O programa, batizado de "Matemática é uma Boa Temática", contou com a presença de docentes de todas as Diretorias Regionais de Educação (DREs) do estado — do interior à capital — para enfrentar um dos desafios mais persistentes da educação básica: as dificuldades de aprendizagem em Matemática.

A iniciativa não se limita a apresentar novas metodologias. O foco central é ajudar o professor a identificar por que cada aluno tem dificuldade — e não apenas o quê ele não sabe.

Como foi organizada a jornada de formação

Durante cinco dias em Cuiabá, os participantes foram divididos em três grupos, cada qual atuando em estações de aprendizagem estruturadas de acordo com as demandas observadas nas diferentes regiões do estado. A programação incluiu palestras, oficinas, atividades práticas, debates e troca de experiências entre docentes de realidades distintas — da zona rural ao centro urbano.

Para a secretária de Estado de Educação, Flávia Emanuelle Soares, a formação integra uma política mais ampla voltada ao enfrentamento de "um dos principais desafios da educação básica: garantir que todos os estudantes desenvolvam as habilidades matemáticas esperadas para cada etapa de ensino". A estrutura em grupos por demanda regional foi pensada para que o professor de Tangará da Serra, de Sinop ou de Alta Floresta encontre respostas alinhadas à sua realidade — e não soluções genéricas.

O diagnóstico: identificar por que o aluno não aprende

Uma das ferramentas trabalhadas na formação é o chamado olhar diagnóstico. Os professores aprendem a observar como o estudante organiza o raciocínio, interpreta os enunciados, utiliza conhecimentos anteriores e busca soluções para os problemas propostos em sala.

Segundo o Portal Mato Grosso, o objetivo da formação é permitir que o professor diferencie, por exemplo, uma dificuldade de cálculo de um problema de interpretação — ou ainda de uma lacuna em conteúdos que deveriam ter sido aprendidos em anos anteriores. Com esse diagnóstico mais preciso, a escola consegue planejar atividades mais direcionadas e acompanhar o desenvolvimento de cada estudante de forma individualizada.

Esse tipo de análise é decisivo porque um aluno que erra uma questão de Matemática pode estar travado por razões completamente diferentes. Repetir o mesmo conteúdo sem identificar a causa real da dificuldade é uma das principais razões pelas quais o rendimento não melhora mesmo com aulas de reforço.

O que muda na prática para o professor de Matemática

Para os cerca de 3 mil docentes que participaram da formação, o resultado imediato é um repertório mais amplo de ferramentas diagnósticas e estratégias pedagógicas aplicáveis no cotidiano da sala de aula. A expectativa da Seduc-MT é que esses professores funcionem como multiplicadores dentro de suas DREs — levando para os colegas das escolas as abordagens trabalhadas em Cuiabá.

O formato com estações de aprendizagem por demanda regional criou um espaço valioso de troca entre docentes de contextos muito diferentes. Professores de escolas do campo, de zonas periurbanas e de grandes centros puderam compartilhar soluções e adaptar estratégias para a realidade de cada turma. Esse intercâmbio é justamente o que distingue uma formação eficaz de um treinamento padronizado.

Se você atua como professor de Matemática na rede estadual de Mato Grosso, acompanhe os próximos comunicados da sua Diretoria Regional de Educação. A Seduc-MT deve anunciar novas etapas de formação ao longo do segundo semestre de 2026, conforme avança o mapeamento das necessidades de aprendizagem dos estudantes da rede estadual.