A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) publicou, em agosto de 2026, a relação das 20 escolas da rede estadual selecionadas pelo Edital nº 012/2026 para receber investimentos em projetos pedagógicos voltados à Educação do Campo. Cada unidade contemplada receberá R$ 20 mil para desenvolver iniciativas que fortaleçam a aprendizagem e valorizem as identidades das comunidades rurais, totalizando um aporte de R$ 400 mil da secretaria estadual.

O que é a Educação do Campo e por que ela é especial

A Educação do Campo é uma modalidade da educação básica brasileira prevista na legislação nacional e nas diretrizes curriculares do Conselho Nacional de Educação. Ela parte do princípio de que estudantes de áreas rurais, ribeirinhas, quilombolas e de assentamentos têm uma realidade distinta dos alunos urbanos — e que o currículo deve dialogar com essa realidade, valorizando os saberes locais.

Em Mato Grosso, dezenas de escolas estaduais ofertam essa modalidade. São unidades que atendem filhos de agricultores familiares, moradores de assentamentos e comunidades tradicionais, muitas vezes com turmas multisseriadas e calendário adaptado aos ciclos agrícolas da região. Para o professor que atua nesses contextos, o apoio financeiro via projetos representa uma das poucas formas de enriquecer o trabalho pedagógico com materiais e atividades práticas.

Quais regiões foram contempladas

Os 20 projetos selecionados estão distribuídos em 13 Diretorias Regionais de Educação (DREs), garantindo abrangência em diferentes regiões do estado:

  • Alta Floresta
  • Barra do Garças
  • Cáceres
  • Confresa
  • Diamantino
  • Juína
  • Matupá
  • Metropolitana (Cuiabá e Várzea Grande)
  • Pontes e Lacerda
  • Primavera do Leste
  • Rondonópolis
  • Sinop
  • Tangará da Serra

A lista completa com o nome de cada escola contemplada está disponível no portal oficial da Seduc-MT.

Os cinco eixos temáticos dos projetos

Para ser aprovado no Edital nº 012/2026, o projeto pedagógico precisa contemplar pelo menos um dos cinco eixos temáticos definidos pela Seduc-MT. Todos giram em torno da identidade e do modo de vida das comunidades do campo:

  1. Agroecologia — uso do manejo sustentável do solo, da água e da biodiversidade como conteúdo pedagógico aplicado.
  2. Agricultura familiar — valorização do modo de vida e da produção familiar como tema transversal ao currículo escolar.
  3. Economia solidária — estudo de cooperativas, associativismo e trabalho coletivo como aprendizagem social e cidadania.
  4. Valorização da cultura camponesa — resgate de saberes, tradições, festas, memórias e histórias das comunidades rurais.
  5. Educação ambiental com foco na sustentabilidade — preservação do cerrado, da Amazônia e dos recursos naturais como tema integrador de múltiplas disciplinas.

Segundo a Seduc-MT, o objetivo é que os projetos vão além do conteúdo formal e promovam a recomposição das aprendizagens com base no contexto real dos alunos — estratégia alinhada às diretrizes nacionais de equidade educacional.

Como foi feita a seleção

As propostas passaram por um processo de elaboração e análise nas Coordenadorias de Gestão Pedagógica (COPEDs) das respectivas Diretorias Regionais de Educação. Depois, foram encaminhadas para validação final pela Coordenadoria de Educação Étnico-Racial e Ambiental (COEERA), vinculada à Seduc-MT.

Esse processo em duas etapas teve como objetivo garantir que cada projeto estivesse alinhado tanto às necessidades pedagógicas das turmas quanto às diretrizes para Educação do Campo, respeitando as diversidades étnicas, culturais e ambientais de cada território.

Prazos: o que muda na prática

Os R$ 20 mil por escola devem ser aplicados até dezembro de 2026. Já as atividades pedagógicas previstas nos projetos poderão ser executadas até junho de 2027, dando mais flexibilidade para o professor planejar e realizar as ações com os alunos ao longo do ano letivo seguinte.

Para o professor que atua em uma das escolas contempladas, a verba representa uma oportunidade concreta de enriquecer o planejamento com materiais didáticos, visitas a áreas produtivas, oficinas com a comunidade e atividades práticas ligadas à realidade do campo. Além de qualificar o ensino, projetos desse tipo fortalecem o vínculo entre escola e comunidade rural — fator comprovadamente associado à redução do abandono escolar em zonas rurais de Mato Grosso.