O programa federal Escolas Conectadas superou, em abril de 2026, a marca histórica de 100 mil escolas públicas brasileiras com acesso à internet gratuita e de qualidade para uso pedagógico. São 100.720 unidades conectadas — 72,9% das 138 mil instituições de educação básica do país. O governo federal mantém a meta de universalizar a conectividade escolar até o fim de 2026.

O que é o programa Escolas Conectadas

Coordenado pelos Ministérios da Educação (MEC) e das Comunicações (MCom) e executado pela EACE (Entidade Administradora da Conectividade de Escolas), o programa integra a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC). Além de levar banda larga às escolas, a iniciativa oferece rede Wi-Fi pedagógica, acesso a plataformas digitais, capacitação de professores e suporte técnico contínuo.

Segundo o Ministério das Comunicações, o crescimento foi acelerado desde o lançamento do programa, em 2023, e coloca o Brasil entre os países com maior expansão de conectividade escolar na América Latina.

Da metade ao quase total: o avanço em números

Os dados do Indicador de Conectividade Escolar (INEC) mostram uma trajetória de crescimento consistente:

  • 2023: 45,4% das escolas públicas com internet adequada para uso pedagógico
  • Dezembro de 2024: 57,3%
  • Fim de 2025: 69,7%
  • Abril de 2026: 72,9% — mais de 100.720 escolas atendidas

A Região Norte registrou o maior crescimento proporcional do país: em 2023, apenas 23,6% das escolas tinham conectividade adequada; em abril de 2026, esse índice chegou a 64,3%. Estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Tocantins, Piauí, Rio Grande do Norte e Goiás já ultrapassaram a marca de 80% das escolas públicas conectadas.

Ainda há desafios. Cerca de 37 mil escolas — 27,1% do total — ainda não têm internet adequada para uso pedagógico. Muitas estão em zonas rurais e regiões remotas da Amazônia e do Centro-Oeste. O programa prevê conexão via satélite para essas unidades, garantindo alcance onde a fibra óptica ainda não chegou.

Aprender Conectado: mais velocidade em 9 mil escolas

Em paralelo ao Escolas Conectadas, o projeto Aprender Conectado instalou infraestrutura de internet em alta velocidade em mais de 9 mil escolas públicas somente no primeiro semestre de 2026, beneficiando 1,1 milhão de estudantes em 1.789 municípios. O objetivo é garantir não apenas o acesso, mas a qualidade da conexão para atividades pedagógicas interativas, videoaulas e uso simultâneo por turmas inteiras.

A meta do governo federal é conectar todas as 138 mil escolas públicas de educação básica até o fim de 2026, encerrando décadas de exclusão digital escolar.

O que muda na prática para o professor

A chegada do Wi-Fi pedagógico transforma a rotina docente. O professor passa a ter acesso, dentro da própria sala de aula, a recursos que antes dependiam do laboratório de informática com hora marcada:

  • Acesso ao Portal MEC e a repositórios de objetos educacionais digitais
  • Plataformas de avaliação formativa, quiz e gamificação durante a aula
  • Videoconferências com especialistas e projetos colaborativos com outras escolas
  • Formação continuada online pela Plataforma Mais Professores, sem sair da escola

A capacitação docente faz parte do pacote do programa. O MEC disponibiliza cursos gratuitos sobre uso pedagógico da tecnologia para professores das redes que já receberam a conectividade. Professores que identificarem problemas de acesso — como fibra instalada mas sem rede Wi-Fi funcional em sala — devem registrar ocorrência junto à secretaria de educação do estado, que é parceira do programa na manutenção da infraestrutura. O INEC é atualizado mensalmente e está disponível para consulta pública no portal do MEC.