O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de analfabetismo de sua história recente: pela primeira vez desde 2016 — quando o IBGE iniciou a atual série histórica —, o índice ficou abaixo de 5%. São 4,9% da população com 15 anos ou mais que não sabe ler nem escrever um bilhete simples, o equivalente a 8,4 milhões de pessoas. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua — Educação (PNAD Educação 2025), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em junho de 2026.

O que é a PNAD Educação e como os dados foram apurados

A PNAD Educação é o levantamento anual do IBGE que mede indicadores como taxa de analfabetismo, acesso à escola e nível de instrução da população brasileira. A série histórica atual começa em 2016, e os dados de 2025 foram reponderados com base no Censo Demográfico de 2022, o que garante maior precisão nas estimativas.

A pesquisa considera analfabeta toda pessoa com 15 anos ou mais que declara não saber ler nem escrever. O resultado de 2025 — 4,9% — é o menor registrado desde que essa série de medições foi iniciada.

Desigualdades que ainda desafiam a educação brasileira

O avanço nacional não apaga disparidades regionais, geracionais e raciais que os professores precisam conhecer:

Nordeste lidera o analfabetismo: a região concentra 57% dos analfabetos do país, com taxa de 10,6% e cerca de 4,8 milhões de pessoas sem alfabetização — mais que o dobro da média nacional.

Idosos são maioria: 58% dos analfabetos — aproximadamente 4,9 milhões de pessoas — têm 60 anos ou mais. São pessoas que cresceram em um Brasil com acesso à escola muito restrito, especialmente no interior do Nordeste e do Norte.

Desigualdade racial persiste: entre pessoas pretas ou pardas com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo chegou a 6,5%, mais que o dobro da taxa registrada entre pessoas brancas (2,8%).

Por que essa conquista tem a marca do professor

Dados como esses não surgem por acaso. A redução do analfabetismo reflete décadas de trabalho de professores que atuam nos anos iniciais do ensino fundamental, na Educação de Jovens e Adultos (EJA) e em programas de alfabetização de adultos em comunidades rurais e periferias urbanas.

A EJA, muitas vezes com turmas pequenas e poucos recursos, segue sendo a principal porta de entrada para a alfabetização tardia no Brasil. Os professores dessa modalidade lidam com adultos que trabalham, que sentem vergonha de estar na escola e que precisam de metodologias específicas para aprender a ler e escrever.

Os resultados do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (ACA), que desde 2023 reforça a alfabetização nos 1º e 2º anos do ensino fundamental, também tendem a impactar as taxas futuras — garantindo que menos crianças de hoje se tornem os analfabetos de amanhã.

A meta do PNE 2026-2036 e o caminho que ainda falta

O novo Plano Nacional de Educação (PNE 2026-2036), sancionado em 2026, estabelece a erradicação do analfabetismo absoluto entre a população brasileira como uma de suas metas centrais. Com 8,4 milhões de analfabetos, o país ainda tem um longo caminho a percorrer para cumprir esse compromisso antes de 2036.

Na prática, para o professor, o dado de 4,9% em 2025 é ao mesmo tempo motivo de celebração e lembrete de responsabilidade. A conquista histórica de ficar abaixo de 5% mostra que o esforço coletivo da educação pública funciona. Cada sala de aula bem conduzida, cada adulto que volta a estudar na EJA, cada criança alfabetizada no tempo certo contribui para um indicador que hoje é histórico — e que ainda precisa melhorar.