Docentes e servidores das instituições federais de educação cruzaram os braços nesta segunda-feira, 10 de agosto de 2026, em uma paralisação nacional convocada pelo ANDES-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), FASUBRA (Federação dos Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil) e SINASEFE (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica). A ação mobiliza professores de universidades federais, institutos federais, CEFET e demais instituições da rede federal em todo o Brasil.
O que motivou a paralisação de hoje
A mobilização de 10 de agosto integra um plano de paralisações bimestrais aprovado pelas categorias como estratégia de pressão sobre o governo federal. O objetivo central é exigir o cumprimento integral do Acordo de Greve nº 10/2024, firmado ao fim da greve das federais que ocorreu entre abril e junho de 2024.
Naquele acordo, o governo se comprometeu com recomposição salarial nas carreiras de Magistério Superior (MS) e de Educação Básica, Técnica e Tecnológica (EBTT): 9% a partir de janeiro de 2025 e mais 3,5% a partir de abril de 2026. Segundo o ANDES-SN, esses reajustes, quando somados aos ganhos por nível de carreira, podem representar entre 13,3% e 31,2% de recomposição dependendo da classe e da referência do docente.
Os reajustes foram pagos, mas as entidades afirmam que parte dos compromissos assumidos — itens sem impacto financeiro direto, como revisão de normas de carreira e regulamentações internas — ainda não foi implementada pelo governo.
O que pedem as categorias em 2026
Em janeiro de 2026, as entidades entregaram ao Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) uma pauta unificada com as reivindicações para o ano. Entre os principais pontos estão:
- Abertura de mesa de negociação para o reajuste salarial de 2027;
- Cumprimento integral de todos os itens do Acordo de Greve de 2024;
- Isonomia de benefícios com outras carreiras do serviço público federal;
- Concessão de auxílio alimentação a aposentados e pensionistas da categoria;
- Criação de mesas de negociação específicas por carreira e setor.
Segundo o ANDES-SN, a paralisação bimestral busca manter pressão sobre o governo sem interromper o semestre letivo por tempo indeterminado, como ocorreu na greve de 2024.
Por que a estratégia bimestral foi adotada
Após meses de negociações que não avançaram sobre a implementação completa do acordo, os docentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) vinculadas ao ANDES-SN aprovaram, em assembleias realizadas em 2026, o modelo de paralisação bimestral de um dia. A medida visa manter o tema na agenda do governo e demonstrar capacidade de mobilização sem paralisar por tempo indeterminado o calendário acadêmico das universidades e institutos federais.
As paralisações ocorrem de forma articulada com a FASUBRA, que representa os técnico-administrativos, e o SINASEFE, que organiza os servidores dos institutos federais e escolas técnicas federais. A unidade entre as três entidades amplia o impacto das ações e reforça a pauta comum das três categorias.
O que muda na prática para o professor
Para docentes de instituições federais, a paralisação de hoje pode impactar aulas, bancas, reuniões e atividades administrativas. Cabe a cada seção sindical local definir a adesão e as atividades afetadas — vale verificar com o sindicato da sua universidade ou instituto. Professores de redes estaduais e municipais não são diretamente atingidos por esta paralisação, mas o cenário influencia o debate sobre valorização docente em todas as esferas. O cumprimento ou não do Acordo de Greve de 2024 funciona como termômetro para as próximas rodadas de negociação salarial na educação pública federal.
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