O governo federal anunciou a abertura de contratos da Fase 6 do Aprender Conectado, programa que vai levar internet de alta velocidade a mais 5.734 escolas públicas em 2.246 municípios de todo o Brasil. A nova fase amplia a meta de atendimento da Entidade Administradora de Conectividade de Escolas (Eace) de 40 mil para quase 46 mil unidades escolares e aproxima o país do objetivo de universalizar a internet na educação básica até o fim de 2026.
O que é o programa Aprender Conectado
O Aprender Conectado integra a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC), lançada em setembro de 2023 pelos ministérios das Comunicações e da Educação. O objetivo é conectar todas as 138 mil escolas públicas de educação básica do país com internet de qualidade e rede wi-fi aberta — uma das maiores iniciativas de inclusão digital da história da educação brasileira.
O investimento total previsto até 2026 é de R$ 8,8 bilhões, financiados em parte com recursos obrigatórios do leilão do espectro 5G. Além do Aprender Conectado, o ENEC reúne o Wi-Fi Brasil, o Norte Conectado, o Nordeste Conectado e recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), segundo o Ministério das Comunicações.
Quantas escolas já têm internet
Ao final de 2025, o programa havia conectado 68,4% das instituições-alvo — o equivalente a mais de 94 mil escolas. Em termos do total de escolas públicas do país, isso representa cerca de 60% das unidades com banda larga e rede wi-fi disponíveis para alunos e professores, de acordo com balanço publicado pelo Ministério das Comunicações em janeiro de 2026.
Para as regiões mais remotas — como comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas —, o programa utilizou satélites de baixa órbita, tecnologia 5G e acesso fixo sem fio (FWA). Onde não havia energia elétrica, foram instalados geradores solares em 948 escolas, garantindo o funcionamento da conexão sem depender da rede local.
Foco no Norte e no Centro-Oeste
As regiões com maior dispersão geográfica concentram os desafios mais complexos — e também os avanços mais necessários. No Amazonas, um programa federal específico estabeleceu a meta de conectar todas as escolas do estado até o fim de 2026, usando satélites para alcançar comunidades de floresta e ribeirinhas que antes ficavam fora de qualquer sinal de internet.
Estados como Mato Grosso, Pará e Rondônia também integram as fases de expansão, com escolas rurais e do campo que dependem exatamente de soluções como satélite e energia solar para ter acesso digital de qualidade. A Fase 6, agora em contratação, é voltada justamente para municípios de menor porte que ainda não foram atendidos nas etapas anteriores.
O que muda na prática para o professor
Conexão estável na escola transforma o que é possível ensinar. Com internet disponível, o docente pode acessar materiais do PNLD Digital, participar de formações a distância sem precisar se deslocar até a cidade, usar plataformas de videoconferência para aulas colaborativas e aplicar ferramentas de inteligência artificial — como as validadas pelas diretrizes aprovadas pelo CNE em 2026.
Para professores de escolas rurais e periféricas, a mudança pode ser ainda mais significativa: a conectividade permite comunicação direta com as famílias, acesso a bancos de atividades e recursos do MEC em tempo real e participação em redes de troca entre docentes de diferentes regiões do país.
Se você ainda não sabe se a sua escola foi contemplada, o caminho é consultar a direção e solicitar informações à secretaria de educação municipal ou estadual. O Ministério das Comunicações e o MEC mantêm portais com dados públicos sobre as unidades já conectadas em cada etapa do programa.
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