O Governo de Mato Grosso alcançou, em maio de 2026, a meta de mais de 10.100 alunos matriculados em cursos técnicos integrados e concomitantes ao ensino médio. A expansão, conduzida pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), representa um crescimento de 90,7% no número de estudantes em apenas um ano — e abre espaço concreto para novas contratações de professores na área de Educação Profissional e Tecnológica (EPT).

Como Mato Grosso chegou a essa marca

Em 2025, a rede de educação técnica estadual contava com 3.475 alunos matriculados. No início do ano letivo de 2026, foram incorporados 6.628 novos estudantes, totalizando 10.103 atendidos pela modalidade. Para absorver esse crescimento, a Seciteci ampliou a estrutura das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs): pela primeira vez, todas as 17 unidades do estado operam em regime integral.

A oferta já está presente em 108 dos 142 municípios mato-grossenses, com 46 cursos técnicos disponíveis. Os principais eixos são Gestão e Negócios, Informação e Comunicação e Recursos Naturais, escolhidos por estarem alinhados às demandas produtivas de cada região. Segundo a Secretaria de Comunicação do Estado, a meta é que 22,2% de todas as matrículas do ensino médio da rede estadual estejam vinculadas à EPT até o final de 2026 — o que representa a abertura de até 15 mil novas vagas.

Novidade de 2026: o primeiro diploma duplo

Este ano marca um momento histórico para a educação técnica em MT: serão formadas as primeiras turmas de alunos que concluirão o ensino médio com dois diplomas ao mesmo tempo — o certificado de conclusão do ensino médio e o diploma técnico de nível médio. A estimativa da Seciteci é que cerca de 1.500 estudantes se formem nessa condição ainda em 2026.

O modelo segue a proposta do Novo Ensino Médio, que incentiva a integração entre a base curricular comum e o itinerário técnico profissional. Nas escolas com turmas EPT integradas, professores das disciplinas regulares passam a atuar em ambientes onde parte dos alunos também frequenta formação prática nas Etecs — o que exige mais diálogo entre as equipes pedagógicas.

O que muda na prática para o professor

A expansão acelerada da EPT em Mato Grosso tem implicações diretas para quem está em sala de aula:

  • Novas vagas para docentes técnicos: o salto de 90% no número de alunos cria demanda por professores capacitados para lecionar componentes técnicos. Profissionais com formação em informática, agronegócio, administração, logística ou saúde têm perfil valorizado nas Etecs e nas escolas com cursos integrados.
  • Integração no planejamento pedagógico: professores de escolas que oferecem turmas EPT são chamados a articular seus conteúdos com o itinerário técnico da turma, o que exige planejamento conjunto com os docentes das disciplinas técnicas.
  • Orientação profissional para alunos: professores do ensino fundamental II e do ensino médio regular passam a ter papel relevante em informar estudantes sobre os cursos técnicos gratuitos disponíveis nas 108 cidades atendidas. Muitas famílias ainda desconhecem essa oferta e dependem da orientação dos professores para acessá-la.

A meta até o fim do ano e o que esperar

Mesmo tendo alcançado a marca de 10 mil alunos, a Seduc-MT mantém o ritmo de expansão. Novas escolas e municípios que ainda não têm atendimento devem ser incorporados ao programa nos próximos meses. Professores com interesse em atuar na EPT podem acompanhar os processos seletivos e convocações no portal oficial da Seduc-MT.

Para o professor mato-grossense, o recado prático é duplo: quem tem formação técnica encontra portas abertas nas Etecs e nas escolas com itinerários integrados. Para os demais, orientar alunos sobre essa rede de formação gratuita — presente em 108 municípios do estado — já faz parte do papel do educador na escola de 2026.