Os professores da rede municipal de ensino de Belo Horizonte (MG) chegaram a 43 dias de greve nesta segunda-feira (8/6), sem que a prefeitura e o sindicato da categoria chegassem a um acordo. Após uma reunião com o secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, Bruno Passelli, o Sind-REDE/BH convocou nova assembleia para quarta-feira (10/6), quando os trabalhadores vão decidir os próximos passos da paralisação.

Por que os professores de BH entraram em greve?

A paralisação começou no dia 26 de abril de 2026 e é liderada pelo Sind-REDE/BH (Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH). A greve reúne professores, monitores da educação infantil e outros profissionais das escolas da rede municipal, e tem como pano de fundo a campanha salarial de 2026.

As principais reivindicações da categoria incluem:

  • Instituição de data-base para reajuste salarial anual garantido;
  • Criação de progressões na carreira com ganhos de até 10,25%;
  • Ajuda de custo para alimentação de R$ 412,50 mensais;
  • Aumento de 58% no valor do vale-refeição;
  • Fim das contratações de profissionais via Organizações da Sociedade Civil (OSCs), modelo que, segundo o sindicato, precariza o trabalho nas escolas e afeta a qualidade do ensino.

O que a Prefeitura de BH propôs

A Prefeitura de Belo Horizonte apresentou proposta de reajuste de 4,11% retroativo a maio de 2026. Somado ao índice de 2,40% já concedido em janeiro, o total chega a 6,61% de aumento no ano. Para o Sind-REDE/BH, a oferta não é suficiente para atender às demandas da categoria.

Em pontos não salariais, a prefeitura fez algumas concessões: comprometeu-se a criar um comitê para monitorar profissionais terceirizados, a apresentar emendas à Lei Orgânica Municipal (LOM) para proteger professores da educação infantil contra substituições indevidas, e a conceder progressão de carreira para servidores com mestrado e doutorado. Mudanças nas regras de planejamento feito fora da sala de aula também foram acordadas.

Mesmo assim, em assembleia realizada no início de junho, a categoria votou por manter a paralisação. A reunião de 8/6 com o secretário Passelli terminou sem acordo, e a decisão final ficou para a assembleia de quarta-feira (10/6).

Um cenário que se repete em todo o Brasil

A greve de BH acontece em um momento em que o debate sobre valorização docente está aceso no país. Em 2026, o piso salarial nacional do magistério foi aprovado em R$ 5.130,63, mas o valor se refere ao vencimento inicial do professor com formação em nível médio e jornada de 40 horas. Na prática, questões como progressão de carreira, benefícios e forma de contratação ficam a cargo de cada rede estadual ou municipal, o que gera impasses como o de BH.

No primeiro semestre de 2026, professores de São Paulo e do Rio de Janeiro também realizaram paralisações por melhores condições salariais e de trabalho, confirmando que a valorização docente é um dos temas centrais da categoria em todo o Brasil.

O que muda na prática para o professor

Se a assembleia de quarta-feira (10/6) decidir pela continuidade da greve, os profissionais que aderirem terão os dias registrados como falta. Dependendo do desfecho da negociação, esses dias poderão ser abonados ou compensados. Em caso de retorno às aulas, a Prefeitura de BH precisará apresentar calendário de reposição para o ano letivo de 2026.

Professores da rede municipal de BH podem acompanhar todas as atualizações no site do sindicato em sindrede.org.br. Segundo o Sind-REDE/BH, a categoria segue mobilizada até que suas reivindicações sejam atendidas de forma justa e transparente pela prefeitura.