Professores e educadores de todo o Brasil cruzaram os braços nesta quarta-feira (26) em uma greve nacional convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). A paralisação integra a 24ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública e reuniu atos em todos os 27 estados e no Distrito Federal, com duas pautas centrais: o cumprimento integral da Lei do Piso Nacional do Magistério e a revogação do Novo Ensino Médio (NEM).
Por que os professores foram às ruas nesta quarta (26)?
A mobilização de 26 de julho tem raízes em uma disputa antiga. A CNTE vem denunciando que muitos estados e municípios brasileiros descumprem a Lei nº 11.738/2008, que criou o Piso Nacional Profissional do Magistério da Educação Básica. Em vigor desde 2010, a lei obriga todos os entes federativos a pagar ao professor com 40 horas semanais ao menos o valor mínimo nacional.
Em 2026, o piso está fixado em R$ 5.130,63 pela Portaria 82 do MEC, valor que passou a seguir uma nova fórmula de reajuste anual vinculada ao INPC e ao FUNDEB, criada pela Lei 15.437/2026. Segundo a CNTE, apesar da lei clara, gestores públicos de diferentes estados e municípios continuam buscando mecanismos para contornar a obrigação, o que motivou as manifestações desta data.
O que é o Novo Ensino Médio e por que a categoria pede sua revogação
A segunda pauta central da greve é a revogação do Novo Ensino Médio (NEM), a reforma educacional introduzida pela Lei 13.415/2017 que reorganizou os três anos finais da educação básica. A secretária de Assuntos Educacionais da CNTE, Guelda Andrade, afirmou que o NEM representa um ataque ao futuro do país, ao impor um modelo que a confederação avalia como incapaz de preparar os estudantes para uma vida digna.
Entre as críticas da categoria ao NEM estão: a redução da carga horária obrigatória de disciplinas como Artes, Educação Física, Filosofia e Sociologia; a divisão do currículo em itinerários formativos considerados desiguais entre as redes estaduais; e a falta de professores especializados em determinadas trilhas de aprendizagem. Em 2026, a nova estrutura já alcança os alunos do 2º ano do ensino médio, com aplicação ao 3º ano prevista para 2027.
Como funciona a greve e o que muda para os docentes
A paralisação convocada pela CNTE segue o modelo de greve nacional, com adesão variável por estado e rede de ensino. Os sindicatos filiados à confederação orientam os professores a participar dos atos e assembleias marcados para o dia. Para o docente que adere, a legislação trabalhista prevê desconto em folha dos dias parados, salvo negociação ou acordo com o ente empregador.
Para as famílias, o impacto direto é a possível suspensão ou redução das aulas nas unidades com maior adesão. As escolas que recebem comunicação oficial do sindicato devem informar pais e responsáveis com antecedência, conforme orientação dos Conselhos Estaduais de Educação.
O que muda na prática para o professor
A greve de hoje reforça um ponto crítico que afeta diretamente os direitos e o salário de quem está em sala de aula: a universalização do piso salarial. Professores em entes cumpridores da lei já recebem a partir de R$ 5.130,63, mas os que atuam em municípios e estados que descumprem a legislação ainda ganham abaixo desse valor.
Se a sua rede não paga o piso previsto em lei, o caminho é acionar o sindicato local, que pode ingressar com ação no Ministério Público ou na Justiça do Trabalho. Para acompanhar as ações em andamento e verificar a situação do seu ente federativo, acesse o site da CNTE ou o portal do Ministério da Educação (MEC).


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