Professores e educadores infantis da rede municipal de Natal (RN) entraram em greve por tempo indeterminado na quinta-feira, 6 de agosto de 2026. A paralisação, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN), afeta escolas e creches da capital norte-rio-grandense. O primeiro ato foi uma manifestação pública em frente à Prefeitura de Natal, reunindo professores, educadores infantis e apoiadores da categoria.
O que levou os professores de Natal à greve?
A categoria aprovou a paralisação em assembleia realizada na segunda-feira, 3 de agosto, após o Sinte-RN apontar falta de avanço concreto nas negociações com a gestão municipal. Segundo o sindicato, o magistério de Natal acumula uma perda salarial de aproximadamente 60% ao longo dos últimos anos e, atualmente, detém o menor piso salarial entre os municípios do Rio Grande do Norte — inclusive abaixo de cidades menores do estado.
As principais reivindicações apresentadas à Prefeitura de Natal são três:
- Reajuste de 4,6% referente ao exercício de 2026, reivindicado pelo Sinte-RN como reposição parcial imediata das perdas históricas;
- Unificação das carreiras: hoje, a rede municipal tem três legislações distintas que regem o magistério, o que gera diferenças de salário e de direitos entre profissionais que exercem funções equivalentes;
- Isonomia salarial entre os diferentes grupos de professores e educadores infantis da rede.
A situação salarial dos professores em Natal
De acordo com o Sinte-RN, Natal paga o menor salário base para professores entre as dez maiores cidades do estado. A fragmentação em três planos de carreira distintos — herança de reorganizações administrativas realizadas ao longo das décadas — significa que dois professores na mesma função e com o mesmo tempo de serviço podem receber valores bastante diferentes. Para o sindicato, esse cenário é injusto e precisa ser corrigido com urgência.
Em nível nacional, o piso salarial do magistério público está fixado em R$ 5.130,63 em 2026, após reajuste de 5,4% estabelecido pela Lei 15.437/2026. O cumprimento do piso federal é obrigação de todos os municípios, conforme aprovado pelo Senado Federal. No entanto, o piso nacional é apenas o ponto de partida: o plano de cargos local determina o que cada profissional efetivamente recebe acima do mínimo federal.
Resposta da Prefeitura e próximos passos
A Prefeitura de Natal afirmou, em nota, que mantém uma mesa permanente de negociação com os trabalhadores da educação e que já atualizou o piso nacional do magistério conforme a legislação federal vigente para 2025 e 2026. O Sinte-RN, por sua vez, informou que aguarda convocação para audiência com o titular da Secretaria Municipal de Educação e representantes do Executivo para retomar as tratativas.
Enquanto não houver acordo, a paralisação segue por tempo indeterminado. O sindicato planeja novos atos públicos e assembleias para manter a mobilização da categoria e pressionar pela abertura de diálogo produtivo com a gestão municipal.
O que muda na prática para o professor?
Para quem está em greve, é importante conhecer as regras sobre o período de paralisação. O direito de greve dos servidores públicos é garantido pela Constituição Federal (art. 37, VII), mas os dias parados podem ser descontados em folha, exceto quando há acordo coletivo ou decisão judicial em contrário. Professores em greve não podem ser demitidos por conta da paralisação.
Para os estudantes de Natal, as aulas podem ser suspensas durante a paralisação, com risco de impacto no calendário letivo. A secretaria municipal deverá se pronunciar sobre eventual reposição de dias letivos conforme o andamento das negociações.
Professores de outras redes que acompanham esse movimento devem ficar atentos: o desfecho da negociação em Natal pode servir de referência para outros municípios do Rio Grande do Norte e do Nordeste que enfrentam situação semelhante de defasagem salarial e fragmentação de carreira.
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