Mato Grosso registrou o maior salto educacional entre todos os estados brasileiros em 2025, subindo da 16ª para a 8ª posição no Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). A conquista coloca o estado no grupo dos dez melhores do país em educação e acende uma série de perguntas para professores e gestores: o que realmente mudou nas escolas de MT?
Os números que colocam MT no topo
O avanço de Mato Grosso não se restringiu a um único indicador. No ranking do Ministério da Educação para o ensino médio, com base no IDEB 2023, o estado passou da 22ª para a 8ª posição — um salto de 14 colocações. Na Taxa de Frequência Líquida do Ensino Médio, o estado avançou 19 posições no comparativo nacional. Já no Ensino Fundamental, o ganho foi de 13 posições nesse mesmo indicador.
No IDEB geral, MT ganhou mais 2 posições. No ENEM, o avanço foi de 1 posição. O conjunto de melhoras revela uma progressão consistente em diferentes etapas e métricas — o que afasta a leitura de um resultado pontual ou isolado.
O que está por trás da melhora
A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) aponta o Sistema Estruturado de Ensino (SEE) como principal motor das mudanças. Com investimento de R$ 110 milhões em 2026, o programa alcança mais de 320 mil alunos em 628 escolas estaduais e reúne cinco frentes de ação:
- Material pedagógico estruturado para professores e estudantes;
- Formação continuada para os docentes;
- Plataforma digital Plurall para acompanhamento do aprendizado;
- Avaliações periódicas das aprendizagens;
- Sistema de assessoramento e monitoramento das escolas.
Além do SEE, a Seduc-MT firmou parceria com o Banco Mundial para um programa de mentoria de professores — iniciativa que reforça a formação em serviço e o apoio pedagógico individualizado nas escolas.
No campo da alfabetização, o estado recebeu o Selo Ouro do MEC por seu compromisso com a alfabetização na idade certa, e aparece como o 3º estado que mais avançou nesse indicador no Brasil.
O que isso significa para os professores de MT
Para os docentes da rede estadual, os resultados trazem reconhecimento e também responsabilidades. O Sistema Estruturado de Ensino implica uma mudança na rotina de sala de aula: uso de materiais padronizados, participação em formações, registro nas plataformas digitais e acompanhamento mais próximo das metas da escola.
A parceria com o Banco Mundial, por sua vez, envolve diretamente professores que participam das mentorias e trocas pedagógicas. Para quem está na ponta, a mensagem dos dados é clara: as estratégias de formação e estruturação do ensino estão gerando resultados reconhecidos nacionalmente.
A meta: entrar no top 5 até o fim de 2026
A Seduc-MT já anunciou a próxima meta: chegar ao grupo dos cinco melhores estados do Brasil em educação até o final de 2026. Para isso, o estado planeja manter os investimentos no SEE e ampliar as ações de formação de professores e monitoramento escolar.
Se a trajetória recente servir de parâmetro — MT saiu do 16º lugar para o 8º em poucos anos —, a meta parece ambiciosa, mas não impossível. O desafio agora é sustentar o ritmo de melhora e garantir que os ganhos cheguem de forma equitativa a todas as regiões do estado, incluindo as escolas rurais e quilombolas que formam parte significativa da rede estadual.
Para os professores que trabalham dia a dia nessas escolas, os dados do ranking reforçam que o esforço dentro da sala de aula tem impacto real — e que MT está, de fato, no caminho certo.




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