Mesmo com o reajuste do piso salarial para R$ 5.130,63 em 2026, o professor brasileiro ainda está muito distante da média internacional. Segundo o relatório Education at a Glance 2024, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os docentes do ensino fundamental no Brasil recebem 47% menos do que a média dos países que integram a organização. O dado reacende o debate sobre valorização do magistério e a crescente dificuldade de atrair novos profissionais para a carreira.
O que diz o relatório da OCDE
O Education at a Glance é o principal estudo comparativo de educação entre os 38 países-membros da OCDE e parceiros, publicado anualmente. A edição de 2024 mostra que o professor do ensino fundamental no Brasil recebe, em média, cerca de US$ 23 mil por ano. A média dos países da OCDE é de US$ 43 mil anuais — praticamente o dobro. Isso coloca o Brasil entre os países com pior remuneração docente entre as 40 nações analisadas no estudo.
O problema não é só o salário. O professor brasileiro enfrenta também uma carga de trabalho acima da média internacional. São 800 horas letivas por ano no ensino fundamental, enquanto a média da OCDE é de 706 horas. As turmas também são maiores: em média 22 alunos por sala nas escolas públicas brasileiras, contra 13 na média dos países analisados. Ou seja: mais trabalho, turmas maiores e salário menor.
Por que essa comparação importa para o professor
O Brasil participa do grupo de países parceiros da OCDE, o que torna a comparação diretamente relevante para avaliar políticas públicas nacionais. Segundo a entidade, há correlação direta entre remuneração docente e qualidade do aprendizado: países que pagam melhor seus professores tendem a atrair candidatos mais qualificados, reduzir a rotatividade nas escolas e manter a motivação dos profissionais em sala de aula.
O reflexo dessa desvalorização no Brasil é concreto: apenas 2,4% dos jovens brasileiros afirmam querer ser professores, segundo dados do próprio relatório. Esse desinteresse alimenta uma previsão preocupante: um déficit de até 235 mil docentes na educação básica até 2040, concentrado especialmente nas áreas de Matemática, Física e Ciências da Natureza — justamente as disciplinas com maior escassez de profissionais hoje.
O que mudou em 2026 e o que ainda falta
O governo federal sancionou a Lei 15.437/2026, que reajustou o piso salarial nacional para R$ 5.130,63 — aumento de 5,4% com ganho real de 1,5% acima da inflação medida pelo INPC. A lei também criou uma nova fórmula de cálculo que vincula reajustes futuros ao INPC e ao crescimento real do FUNDEB, buscando dar previsibilidade ao aumento salarial nos próximos anos.
Ainda assim, a distância em relação à média internacional permanece enorme. Para alcançar o patamar da OCDE, a remuneração inicial do professor precisaria crescer de forma muito mais acelerada do que os reajustes atuais. Especialistas apontam que, sem uma política consistente de valorização, o Brasil terá dificuldade crescente de preencher as vagas docentes que surgirão com as aposentadorias e com a expansão da rede pública nos próximos anos.
O que o professor pode fazer com essa informação
Conhecer os dados internacionais é importante porque eles embasam negociações salariais nos tribunais, nas câmaras municipais, nas assembleias estaduais e nas pautas sindicais. Quanto maior a evidência da defasagem, mais sólida fica a argumentação pela recomposição salarial e pela reforma de carreira.
Na prática, o professor que acompanha esses debates tem mais ferramentas para participar das assembleias do seu sindicato, entender as pautas de negociação e exigir que os gestores públicos cumpram o piso — que, segundo o STF, vale inclusive para docentes temporários. O cenário internacional mostra que valorizar o professor não é opcional: é condição para melhorar a educação do país.
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