As eleições gerais de 2026 estão marcadas para o dia 4 de outubro (primeiro turno) e, se necessário, 25 de outubro (segundo turno). Milhares de escolas públicas em todo o Brasil funcionarão como seções eleitorais nesses dias, e muitos professores poderão ser chamados — ou podem se candidatar voluntariamente — para atuar como mesários. Se você ainda não sabe quais são seus direitos nessa situação, vale ler com atenção.

O que faz um mesário e por que professores são frequentemente chamados

O mesário é o responsável por organizar a votação na seção eleitoral: recebe os eleitores, confere documentos, opera a urna eletrônica e garante que o processo transcorra de forma ordenada. Cada seção conta com um presidente de mesa, um secretário e membros auxiliares.

Como as escolas públicas são os locais mais utilizados pela Justiça Eleitoral para instalar seções de votação, professores e servidores da educação acabam sendo frequentemente convocados. A boa notícia é que a legislação garante direitos claros a quem assume essa função.

Como se inscrever como mesário voluntário

Qualquer eleitor com mais de 18 anos e situação regular na Justiça Eleitoral pode se candidatar voluntariamente ao cargo de mesário. As inscrições são feitas pelo aplicativo e-Título ou diretamente nos sites dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de cada estado.

Não podem ser mesários: candidatos a cargos eletivos, parentes até o segundo grau de candidatos, membros de diretórios partidários com função executiva e autoridades policiais.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o edital com os nomes dos mesários convocados deve ser publicado até 5 de agosto de 2026. Registrar-se não garante a convocação automática, mas demonstra disponibilidade e favorece o chamamento pela Justiça Eleitoral.

Quais são os direitos de quem atua como mesário

A legislação eleitoral, especificamente o art. 98 da Lei n.º 9.504/1997, assegura aos mesários os seguintes benefícios:

Folga compensatória em dobro: para cada dia trabalhado na eleição ou em treinamento, o mesário tem direito a dois dias de folga, sem qualquer desconto no salário. Isso vale tanto para servidores públicos — incluindo professores da rede estadual e municipal — quanto para trabalhadores da iniciativa privada.

Auxílio-alimentação: no dia da votação, o mesário recebe R$ 65 por turno trabalhado, pago pela Justiça Eleitoral.

Horas complementares: estudantes universitários que atuam como mesários podem solicitar o reconhecimento do serviço como atividade complementar, desde que a instituição de ensino tenha convênio com o TRE estadual. Para professores que cursam pós-graduação ou especialização, vale verificar esta possibilidade com a coordenação do curso.

Desempate em concurso público: em certames que previrem este critério em edital, o serviço eleitoral pode ser usado como critério de desempate entre candidatos com pontuação igual.

O que acontece com as aulas nos dias de eleição

Nas escolas designadas como seções eleitorais, as aulas costumam ser suspensas nos dias de votação. Cada secretaria de educação é responsável por ajustar o calendário escolar para compensar esses dias, garantindo o cumprimento dos 200 dias letivos exigidos pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB).

O professor da rede pública que for convocado como mesário — e trabalhar no dia da eleição — terá direito às duas folgas previstas em lei, descontadas do calendário de trabalho de forma acordada com a gestão escolar. Guarde a declaração emitida pela Justiça Eleitoral: ela é o documento que comprova o serviço prestado e garante a folga.

O que muda na prática para o professor

Com as eleições de outubro se aproximando, esta é a hora certa de verificar se você quer se inscrever como voluntário. As inscrições seguem abertas nos sites dos TREs estaduais e no aplicativo e-Título. Professores organizados, acostumados com ambientes escolares e com boa comunicação são candidatos naturais para conduzir a votação com eficiência.

Além dos benefícios previstos em lei — folga em dobro e auxílio-alimentação —, participar da eleição como mesário é também uma oportunidade de vivenciar o processo democrático de dentro, experiência que pode ser compartilhada com os alunos nas semanas seguintes e transformada em aula de cidadania.