O Brasil está entre os dez países com maior índice de adoção de inteligência artificial (IA) por professores em todo o mundo. Segundo a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (TALIS 2024), divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em outubro de 2025, 56% dos professores brasileiros declararam usar ferramentas de IA no cotidiano escolar — bem acima da média de 36% registrada nos países da organização. O levantamento ouviu educadores de 53 países, com foco nos anos finais do ensino fundamental.

Para que os professores brasileiros usam a IA

Os dados do TALIS 2024 mostram que os docentes brasileiros recorrem à IA principalmente para três finalidades:

  • Planos de aula e atividades: 77% utilizam IA para gerar ou adaptar materiais de ensino;
  • Personalização de conteúdo: 64% recorrem à IA para ajustar automaticamente a dificuldade dos materiais de acordo com as necessidades da turma;
  • Estudo e síntese de temas: 63% usam ferramentas de IA para aprender ou resumir um tópico com mais eficiência antes de ensiná-lo.

Esses números mostram que a IA já saiu do campo da curiosidade e se tornou parte do fluxo de trabalho de uma parcela significativa dos docentes brasileiros — especialmente na preparação de aulas.

O Brasil à frente de potências tecnológicas

O resultado coloca o Brasil acima de nações como França, Japão, Alemanha e Reino Unido em adoção de IA no ensino. Para um país que ainda enfrenta desafios estruturais na educação, o dado é expressivo e sinaliza um protagonismo que merece ser aproveitado com políticas públicas de formação e suporte.

Parte da explicação está na ampla disseminação de ferramentas gratuitas e acessíveis via smartphone. Aplicativos como o ChatGPT e o Gemini têm versões gratuitas que qualquer professor pode usar no celular — o que facilita a adoção mesmo sem infraestrutura fornecida pela escola.

O desafio: falta formação e infraestrutura

Apesar do alto índice de adoção, o TALIS 2024 aponta lacunas que precisam ser enfrentadas. Cerca de 39% dos professores brasileiros declaram precisar de capacitação para usar a IA de forma pedagógica — ou seja, com intencionalidade e método, não apenas intuitivamente.

A situação da infraestrutura revela um paradoxo: 60% dos professores no Brasil relatam falta de equipamentos tecnológicos adequados nas escolas, índice muito acima da média da OCDE (37%). Isso indica que grande parte do uso de IA acontece nos próprios celulares dos professores, sem suporte formal das redes de ensino.

Segundo a Agência Brasil, a pesquisa reforça que o Brasil precisa avançar não apenas em disponibilidade de ferramentas, mas sobretudo em formação docente que ensine como usar a IA com propósito educativo.

O que muda na prática para o professor

Para quem já usa ou quer começar a usar IA na sala de aula, os dados trazem uma mensagem direta: você está na vanguarda. Mais da metade dos professores brasileiros já adota alguma ferramenta de IA, e o Brasil supera a média dos países ricos nesse quesito.

Na prática, o próximo passo é ir além do uso experimental. Usar a IA com intencionalidade — definir por que e como ela entra na aula — é o que transforma o recurso em aliado real da aprendizagem. A formação continuada em IA para educadores está crescendo: o MEC já ofertou cursos pelo AVAMEC e a tendência é de mais oportunidades. Fique atento aos editais de formação da sua secretaria de educação e aproveite os programas disponíveis para se preparar com método.