Professores da educação básica da rede privada baiana aprovaram, com 91% dos votos, a paralisação das atividades no próximo dia 9 de junho (terça-feira). A decisão foi tomada em assembleia realizada no dia 1º de junho pelo Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (Sinpro-BA), em resposta à postura dos empregadores na negociação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para 2026. O movimento engloba escolas particulares da educação básica em todo o estado da Bahia.
O que está em disputa na negociação coletiva
Segundo o Sinpro-BA, o setor patronal tem tentado retirar direitos garantidos na CCT vigente durante a renovação para 2026. As principais disputas giram em torno de quatro pontos:
Bolsa escolar para filhos de professores. O desconto na mensalidade escolar, que hoje pode chegar a 90%, estaria sendo negociado pelos empregadores para ser reduzido a até 40%, segundo o sindicato. Para docentes com filhos matriculados na própria escola em que trabalham, essa redução representa uma perda financeira significativa no orçamento familiar.
Recesso escolar unificado. A CCT 2024-2026 assegura recesso de 19 de junho a 7 de julho de 2026 para toda a categoria. O setor patronal, de acordo com o sindicato, quer flexibilizar ou eliminar essa garantia na próxima convenção.
Adicional de qualificação profissional. Professores com graduação, especialização, mestrado ou doutorado têm direito a percentuais adicionais pelo nível de formação acadêmica. Os empregadores estariam propondo cortar ou reduzir esse benefício.
Reajuste do piso salarial. A categoria defende um reajuste que reponha a inflação e recupere perdas reais. A CCT anterior assegurou 5,6% a partir de maio de 2025; o Sinpro-BA quer percentual superior para 2026.
O que acontece no dia 9 de junho
No dia 9 de junho, as atividades nas escolas privadas da base representada pelo Sinpro-BA serão paralisadas. Na mesma data, será realizada uma assembleia para deliberar sobre a decretação do estado de greve — etapa formal anterior à greve propriamente dita. Caso seja aprovado, o estado de greve abre caminho para uma paralisação mais prolongada se as negociações não avançarem.
O presidente do Sinpro-BA, Allyson Mustafá, afirmou que a paralisação é uma resposta à postura do setor patronal após várias rodadas de negociação sem avanços. A mobilização é estadual e abrange escolas de todo o estado.
Por que isso importa além da Bahia
Ao contrário dos docentes da rede pública — protegidos pelo piso nacional do magistério (R$ 5.130,63 em 2026) e por estatutos do magistério —, os professores de escolas particulares têm seus direitos definidos principalmente pela CLT e pelas Convenções Coletivas de Trabalho de cada estado. Isso significa que benefícios como bolsa escolar, recesso garantido e adicionais por qualificação dependem diretamente das negociações sindicais locais.
Em anos de renovação de CCT, como 2026, trabalhadores de escolas privadas ficam mais vulneráveis a perdas de direitos. O que acontece na Bahia serve de alerta para professores de escolas particulares em outros estados que também estão — ou estarão — em processo de negociação coletiva ao longo deste ano.
O que muda na prática para o professor
Se você trabalha em escola particular na Bahia ou em outro estado, fique atento:
- Na Bahia: acompanhe os comunicados do Sinpro-BA sobre os resultados da assembleia de 9 de junho e os próximos passos da negociação;
- Em outros estados: verifique o calendário de negociação coletiva do seu sindicato para 2026 e quais direitos estão em pauta — especialmente bolsa escolar, recesso e adicionais por qualificação;
- Guarde sua CCT atual e compare com qualquer nova proposta patronal antes de aceitar reduções de benefícios.
Para acompanhar as informações oficiais e os desdobramentos da negociação na Bahia, acesse o site do Sinpro-BA.

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