Os professores e demais profissionais da educação da rede municipal de Belo Horizonte (MG) encerraram, em 10 de junho de 2026, uma greve que durou 45 dias. Em assembleia realizada na Praça da Estação, no Centro da capital mineira, a categoria votou pelo fim da paralisação após conquistar garantias concretas contra a terceirização do trabalho docente. As aulas foram retomadas nas escolas municipais a partir de 11 de junho.

Como começou a paralisação

A greve teve início em 27 de abril de 2026 e foi organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH). As principais reivindicações eram três: o reajuste salarial de 5,4% previsto no Piso Nacional do Magistério, a reversão dos cortes de ponto dos professores que aderiram ao movimento e a rejeição às parcerias da prefeitura com Organizações da Sociedade Civil (OSCs) que previam a terceirização de funções pedagógicas e docentes.

Ao longo das semanas de paralisação, a prefeitura e o sindicato mantiveram negociações. A assembleia que encerrou o movimento reuniu trabalhadores da categoria na Praça da Estação e decidiu, por votação, aceitar os compromissos assumidos pela gestão municipal.

O que os professores conquistaram

As conquistas registradas pelo Sind-Rede/BH incluem pontos que afetam diretamente a carreira docente. A principal delas é a garantia de que as atividades docentes e pedagógicas serão realizadas exclusivamente por professores concursados da rede municipal. As OSCs terão atuação restrita e não poderão exercer funções de docência.

Além disso, novas contratações de trabalhadores da educação deverão ocorrer por meio de Processo Seletivo Simplificado — e não por indicação ou contratação direta sem processo público. A prefeitura também se comprometeu a encaminhar mudanças na Lei Orgânica do município para ampliar a proteção dos cargos de professores da educação infantil. Foi criado, ainda, um comitê para acompanhar a transição dos profissionais que atuavam de forma terceirizada na rede.

Por que a terceirização é uma ameaça para a carreira docente

O modelo de parceria com OSCs que estava em discussão em BH não é um caso isolado. Em vários municípios brasileiros, organizações da sociedade civil têm assumido a gestão de escolas e, em alguns casos, a própria contratação de educadores. Quando isso ocorre sem regulamentação clara, o professor contratado por uma OSC fica fora do plano de carreira público, do concurso e dos direitos garantidos ao servidor municipal.

A decisão da prefeitura de restringir as OSCs às atividades que não sejam docência representa uma linha de proteção importante para a categoria. Ao manter a exclusividade dos concursados na sala de aula, o município preserva a integridade da carreira do magistério público — um princípio que está em disputa em muitas redes de educação básica no país.

O que muda para o professor a partir de agora

Com o retorno às aulas em 11 de junho, os profissionais da educação municipal de BH voltam à rotina escolar. O Sind-Rede/BH informou que manterá um calendário de mobilizações para monitorar o cumprimento dos acordos firmados com a prefeitura. A questão do corte de ponto durante os dias de paralisação ainda não foi totalmente resolvida e deve continuar sendo negociada nos próximos dias.

Para professores de outras redes que vivem pressões semelhantes, o caso de Belo Horizonte mostra que a organização coletiva pode garantir resultados concretos na defesa da carreira docente. A greve de 45 dias na capital mineira — uma das mais longas em redes municipais em 2026 — encerrou com avanços que vão além do salário: tocaram na estrutura da carreira e na relação entre o poder público e a educação.