Cerca de 300 professores da Rede Municipal de Ensino (REME) de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, aprovaram por unanimidade uma paralisação das atividades para sexta-feira, 12 de junho de 2026. A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária convocada pelo Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP), na última segunda-feira (8), após impasse com a Prefeitura sobre o cumprimento de um acordo salarial firmado em 2025.

O que motivou a paralisação

O estopim foi a recusa da Prefeitura de Campo Grande em aplicar o reajuste de 5,4% previsto na Política do Piso 20h — um compromisso assinado entre o município e o sindicato em 2025. Segundo o ACP, a administração municipal reconheceu a existência do compromisso, mas alegou inviabilidade financeira para aplicá-lo neste momento.

A situação ganhou repercussão após publicação do Campo Grande News, que relatou a decisão unânime da assembleia. A categoria esperava uma proposta concreta da Prefeitura para solucionar o impasse, mas não obteve resposta satisfatória antes da votação.

Professores também cobram abertura de concursos

A reivindicação não se limita ao percentual salarial. Os professores também exigem a abertura de novos concursos públicos para ampliar o quadro efetivo da REME. Para o sindicato, a falta de docentes concursados sobrecarrega quem está em exercício e prejudica diretamente a qualidade do ensino nas escolas municipais de Campo Grande.

Como será o ato de sexta-feira

A mobilização começa às 7h30 na sede do ACP. Os professores se concentrarão no local e realizarão, em seguida, uma marcha até a sede da Prefeitura Municipal para entregar as reivindicações formalmente à administração. A paralisação deve afetar o funcionamento das aulas na rede municipal no dia 12 de junho.

Contexto: piso nacional está sendo pago, mas há um adicional pendente

É importante diferenciar os compromissos vigentes. A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou, em votação anterior, um projeto que garante a reposição integral do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) — que subiu para R$ 5.130,63 em 2026 — acrescida de um reajuste anual de 5% para os professores da rede municipal. Esse compromisso vem sendo cumprido pela Prefeitura.

O conflito atual, porém, envolve um índice adicional: os 5,4% previstos na Política do Piso 20h, um acordo firmado diretamente com a gestão municipal em 2025 e que, segundo o ACP, deveria ter sido incorporado ao salário-base de forma autônoma em relação ao piso nacional. A Prefeitura não nega a obrigação, mas alega que não tem condições fiscais de honrá-la no momento.

O que muda na prática para o professor

Se você é docente da REME de Campo Grande, as aulas nas escolas municipais podem ser afetadas na sexta-feira, 12 de junho. Acompanhe as comunicações do ACP e da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) para saber se haverá negociação antes da data marcada. Caso as partes cheguem a um acordo, o sindicato tende a convocar nova assembleia para decidir sobre a suspensão da paralisação.

Para professores de outras redes, o caso de Campo Grande reforça a importância de documentar e monitorar os acordos salariais firmados com a administração pública. Compromissos formalizados com a gestão municipal podem ser cobrados coletivamente quando a prefeitura alega impossibilidade financeira de cumprimento.