Professores e professoras da rede particular do município do Rio de Janeiro realizaram uma greve de 24 horas na quarta-feira, 2 de setembro de 2026. A paralisação foi convocada pelo Sinpro-Rio (Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região) após a categoria rejeitar, em assembleia, a proposta do Sinepe-Rio (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado do Rio de Janeiro). A ação integra a campanha salarial 2026 da educação básica privada no Rio.

O que levou à greve

O Sinepe-Rio, que representa as escolas particulares, propôs um reajuste limitado ao INPC de 3,77% — sem qualquer ganho real acima da inflação. Para o Sinpro-Rio, corrigir o salário apenas pelo índice inflacionário não representa valorização: é simplesmente reposição do poder de compra já perdido, insuficiente diante da crescente carga de trabalho dos professores fora da sala de aula.

Em assembleia, a categoria aprovou por unanimidade o estado de greve e a realização da paralisação de 24 horas. Segundo o Sinpro-Rio, os professores permanecem abertos ao diálogo, mas exigem que as negociações avancem de forma concreta nas próximas rodadas com o sindicato patronal.

As quatro reivindicações centrais

A campanha salarial vai além de um percentual de reajuste. O Sinpro-Rio apresentou quatro pautas ao Sinepe-Rio:

  • Reajuste salarial de ao menos 5,5% — com ganho real acima do INPC de 3,77%;
  • Pagamento da hora-atividade — remuneração pelo tempo de planejamento de aulas, correção de avaliações, elaboração de materiais e comunicação com famílias, realizados fora da sala de aula;
  • Equiparação salarial entre professores da Educação Infantil, do Ensino Fundamental I, do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio;
  • Gratificação por aprimoramento acadêmico para docentes com especialização, mestrado ou doutorado.

Hora-atividade: garantida na rede pública, negociada na privada

A hora-atividade é o período remunerado dedicado às atividades pedagógicas realizadas fora da sala de aula — planejamento, correção, formação e reuniões. Para professores da rede pública, a Lei do Piso (Lei 11.738/2008) garante que ao menos um terço da jornada docente seja composto de hora-atividade remunerada. Na rede privada, porém, esse direito não está assegurado por lei federal de forma automática: ele depende da negociação coletiva entre o sindicato dos professores e o dos empregadores.

É exatamente por isso que a pauta é recorrente nas campanhas salariais das escolas particulares em todo o Brasil. Professores da rede privada frequentemente relatam que planejam aulas, corrigem provas e se comunicam com responsáveis de alunos fora do horário contratado, sem remuneração adicional por esse tempo.

O que acontece agora

Após a paralisação de 24 horas, o Sinpro-Rio reafirmou que permanece aberto ao diálogo e à negociação com o Sinepe-Rio. As próximas rodadas de conversas definirão se a campanha salarial avança ou se novas paralisações serão convocadas. Professores da rede particular do Rio de Janeiro podem acompanhar os desdobramentos diretamente no site oficial do Sinpro-Rio.

Para professores de toda a rede pública, o episódio reforça a importância de conhecer e exigir a hora-atividade já garantida por lei. Para os docentes da rede privada em outros estados, vale verificar o que a convenção coletiva regional prevê — e ficar atento à próxima campanha salarial de sua categoria.