Professores e técnicos-administrativos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) decretaram o fim da greve nesta semana, após meses de paralisação que afetou mais de 46 mil estudantes do estado. O movimento envolveu também servidores do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), com campi em Cuiabá, Sinop, Rondonópolis e Cáceres, e faz parte de uma mobilização nacional que chegou a paralisar 54 instituições federais de ensino.

Por que a greve começou?

A mobilização nacional dos técnico-administrativos em educação (TAEs) começou em fevereiro de 2026, organizada pela FASUBRA. Em Mato Grosso, os servidores do IFMT aderiram à greve a partir de 8 de abril e os da UFMT em 13 de abril. Os professores da UFMT também paralisaram as atividades dias depois, em assembleia que aprovou greve por tempo indeterminado.

O ponto central das reivindicações era o descumprimento de parte do Termo de Acordo assinado em junho de 2024. As principais demandas envolviam a implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), a jornada de 30 horas semanais para os TAEs e a reestruturação da carreira de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT), que inclui os professores dos institutos federais que ministram ensino médio integrado.

Impacto em Mato Grosso

Segundo o portal GC Notícias, mais de 46 mil estudantes vinculados à UFMT e ao IFMT foram afetados desde o início da greve. A paralisação interrompeu aulas, fechou bibliotecas e laboratórios e suspendeu serviços administrativos como emissão de documentos e matrículas. No pico da mobilização, a greve nacional atingiu 54 universidades e institutos federais de todas as regiões do país.

Em audiência realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, representantes das categorias e estudantes debateram os reflexos da paralisação no ensino público federal do estado, pressionando por uma solução negociada com o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.

Encerramento e pontos do acordo

Após meses de negociações, os técnico-administrativos da UFMT aceitaram o Termo de Acordo proposto pelo governo federal, encerrando a greve da categoria. De acordo com o SINTUF-MT, o termo incorporou ao plano de carreira TAE demandas históricas, como o RSC e a jornada de 30 horas semanais.

Em seguida, os professores da UFMT decretaram o fim da greve em assembleia realizada na última semana de maio, conforme noticiou a Gazeta Digital. A data de retorno às aulas será definida pela reitoria. Em entrevista ao RDNEWS, o reitor afirmou que a universidade está elaborando um novo calendário acadêmico para repor os dias letivos perdidos. Os campi de Sinop, Várzea Grande e Araguaia já tiveram o calendário pós-greve divulgado, segundo o Só Notícias.

O que muda na prática para professores e alunos

Para os professores que atuam na rede federal em Mato Grosso — especialmente os do EBTT no IFMT que ensinam no ensino médio integrado —, o encerramento da greve exige reorganizar o calendário letivo. O semestre deverá se estender além do prazo original, com possíveis aulas no contraturno ou aos sábados, conforme cada campus decidir.

Do ponto de vista financeiro, o acordo de 2024 já trouxe avanços concretos: o reajuste linear de 3,5% entrou em vigor em abril de 2026, com pagamento na folha de maio, beneficiando professores do Magistério Federal e do EBTT. Somado ao reajuste de 9% de janeiro de 2025, a recomposição salarial acumulada chega a aproximadamente 12,8% para essas categorias em dois anos.

Professores e estudantes devem acompanhar os canais oficiais da UFMT e do IFMT para saber a data exata de retorno e o cronograma de reposição de aulas. A greve de 2026 reforça a necessidade de um canal permanente de negociação entre governo federal e as categorias da educação, para evitar paralisações que prejudicam quem mais depende de previsibilidade: estudantes e professores.