A Prefeitura de Campo Grande (MS) e a ACP — entidade representativa dos professores da Rede Municipal de Ensino (Reme) — chegaram a consenso sobre o pagamento do reajuste salarial de 5,4% garantido pela legislação federal. A negociação, que durou mais de um mês e chegou a provocar paralisações nas escolas municipais, foi confirmada pelo portal oficial da Prefeitura de Campo Grande em julho de 2026.

Qual é o reajuste em disputa

Em 2026, o governo federal sancionou a Lei nº 15.437, que elevou o piso salarial nacional do magistério de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63 — um reajuste de 5,4%. A lei garante que nenhum professor da educação básica pública pode receber abaixo desse valor para uma jornada de 40 horas semanais. O piso serve como referência mínima e os municípios são obrigados a respeitá-lo.

Em Campo Grande, a Lei Municipal nº 7.523/2025 — sancionada em novembro de 2025 — já previa três reajustes específicos para os professores da Reme ao longo de 2026. O segundo aumento, de 5,4%, alinhado ao novo piso federal, tornou-se o centro do conflito entre a categoria e a Prefeitura.

O impasse: parcelamento ou tudo em 2026

A prefeita Adriane Lopes propôs fracionar o pagamento em três parcelas: 1,7% em setembro de 2026, mais 1,7% em dezembro e outros 2% somente em janeiro de 2027. A ACP rejeitou a proposta e manteve a exigência de que todo o percentual fosse pago ainda em 2026, conforme prevê a lei municipal. A posição da administração foi classificada pela categoria como descumprimento da política de valorização do magistério.

As negociações se estenderam por várias rodadas de reuniões em junho e nas primeiras semanas de julho, sem que se chegasse a uma solução. Com o impasse se prolongando, a ACP chegou a ameaçar declarar greve automática caso a Prefeitura não apresentasse uma proposta aceitável dentro do prazo estabelecido.

Protesto fecha escolas e afeta mais de 100 mil alunos

Em 12 de julho, professores realizaram manifestação na Avenida Afonso Pena, no centro de Campo Grande. Com a paralisação, escolas da rede municipal amanheceram com os portões fechados, afetando cerca de 112 mil alunos e 8.500 professores, segundo a imprensa local. Após o protesto, em reunião realizada no dia 10 de julho, a Prefeitura se comprometeu a apresentar uma nova proposta revisada à categoria.

Acordo encerra o conflito e garante o reajuste

Segundo o portal oficial da Prefeitura de Campo Grande, a administração municipal e a ACP chegaram a um consenso e os professores terão o reajuste garantido. A assembleia da categoria prevista para esta semana deverá avaliar os termos do acordo e decidir sobre possíveis mobilizações no retorno das férias de julho.

Na prática, o desfecho representa uma vitória importante para os cerca de 8.500 docentes da Reme, que devem passar a receber o novo piso de R$ 5.130,63 previsto em lei. O caso reforça algo essencial: o reajuste do piso federal não é repassado automaticamente — em muitos municípios, ele depende de negociação, e a atuação do sindicato faz toda a diferença.

O que muda na prática para o professor

Se você é professor da rede municipal de qualquer cidade e ainda não viu o reajuste de 5,4% refletido no salário de 2026, o primeiro passo é consultar o sindicato da categoria. A Lei nº 15.437/2026 já está em vigor e o município tem obrigação legal de cumpri-la. Fique atento ao contracheque, compareça às assembleias e acompanhe as negociações: em Campo Grande, foi a mobilização dos 8.500 professores que fez a Prefeitura voltar à mesa e chegar ao acordo.