Os professores da rede particular da Bahia reuniram-se em assembleia geral na quinta-feira, 16 de julho de 2026, e decidiram manter o estado de greve da categoria. A mobilização é coordenada pelo Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (Sinpro-BA) e resulta do impasse na campanha salarial 2026, cujas negociações com o sindicato patronal que representa as escolas privadas entraram em colapso desde maio. Na mesma assembleia, os professores aprovaram paralisações de 50 minutos nos dias 20, 22 e 24 de julho em escolas privadas de todo o estado.
O que foi decidido em assembleia
A Assembleia Geral Extraordinária Permanente da Data-Base 2026 da Educação Básica ocorreu no Auditório Jorge Amado, em Salvador. Por votação, os docentes optaram por não declarar greve por tempo indeterminado — pelo menos por ora. A estratégia aprovada foi a de realizar três paralisações curtas de 50 minutos para pressionar o lado patronal a retornar à mesa de negociação com propostas mais concretas.
Esta é a segunda assembleia consecutiva em que o estado de greve é mantido sem uma paralisação total das atividades. Para o Sinpro-BA, as paralisações programadas nos dias 20, 22 e 24 de julho servem como sinal de que a categoria está organizada e disposta a escalar o movimento caso as escolas não apresentem propostas adequadas.
Quais são as reivindicações dos professores
A campanha salarial 2026 reúne quatro pontos centrais de negociação, segundo o Sinpro-BA:
- Reajuste salarial acima da inflação;
- Qualificação do piso da categoria;
- Ampliação do recesso escolar;
- Regulamentação e remuneração específica das atividades realizadas fora da jornada regular, como elaboração e correção de provas, planejamento de aulas e tarefas administrativas.
O presidente do Sinpro-BA, Allysson Mustafa, tem ressaltado que os professores das escolas particulares acumulam responsabilidades que extrapolam o horário de trabalho contratado e não são remuneradas de forma adequada. A regulamentação dessas atividades externas é considerada um avanço estrutural importante para a valorização do docente no setor privado.
O que as escolas particulares propõem
O sindicato patronal apresentou à categoria uma proposta de reajuste de 4,11%, equivalente à variação do INPC, com pagamento previsto na folha de julho — a ser quitada em agosto. A oferta foi rejeitada pelos professores, que a consideram insuficiente para compensar a perda de poder aquisitivo e atender às demandas específicas da categoria.
A última rodada formal de negociação entre as partes ocorreu em 27 de maio, quando as escolas particulares recusaram as reivindicações dos docentes. Desde então, não houve avanço significativo. O Sinpro-BA afirmou que permanece disponível ao diálogo, mas nenhuma proposta apresentada pelo sindicato patronal foi aceita pela assembleia.
O que muda na prática para o professor
Professores de escolas particulares na Bahia devem participar das paralisações de 50 minutos nos dias 20, 22 e 24 de julho de 2026. Quem leciona em mais de uma unidade pode ser convocado a participar em cada escola. O impacto pontual sobre as aulas deve ser limitado, mas o movimento sinaliza que uma greve mais ampla pode ser deflagrada caso as negociações não avancem nas próximas semanas.
Para os professores do setor público, o episódio reforça o debate nacional sobre condições de trabalho e remuneração justa para a carreira docente. Acompanhe as atualizações pelo portal Aratuon e pelos canais oficiais do Sinpro-BA.


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