O Censo Escolar 2025, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), revelou que 71,7% dos professores da rede estadual de Mato Grosso atuam com contrato temporário — sete a cada dez docentes sem vínculo efetivo. O estado ocupa a quinta posição no ranking nacional de precariedade de vínculos, atrás apenas de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Acre.
O que dizem os números em Mato Grosso
O índice de temporários no magistério estadual do MT vem oscilando nos últimos anos: era de 66,5% em 2023, saltou para 74,9% em 2024 e recuou para 71,7% no Censo 2025 — uma redução de 3,2 pontos percentuais, mas ainda muito distante de um cenário estável para quem trabalha em sala de aula.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), a rede estadual conta com cerca de 36 mil trabalhadores, sendo mais de 17 mil em regime temporário. O último concurso público realizado pelo governo do estado abriu apenas 1.500 vagas — número insuficiente para reverter o quadro de precarização.
Cenário nacional: temporários superam efetivos pelo 3º ano seguido
O problema não é exclusivo de Mato Grosso. Segundo o Censo Escolar 2025 do INEP, pela terceira vez consecutiva, professores com contratos temporários superaram os concursados nas redes estaduais de ensino do Brasil: são 331.971 temporários contra 331.440 efetivos — uma inversão histórica que expõe a precarização do magistério público nacional.
Em 12 estados brasileiros, mais da metade dos professores da rede estadual atua sem concurso. O Rio de Janeiro é a exceção positiva: 92% dos docentes estaduais são concursados e apenas 8% são temporários, segundo o mesmo levantamento do INEP.
Por que o contrato temporário prejudica o professor
Professores com contratos temporários ficam à margem de direitos garantidos ao servidor efetivo: estabilidade no emprego, progressão na carreira, plano de saúde diferenciado e benefícios vinculados ao tempo de serviço. Para os alunos, a alta rotatividade impacta a continuidade pedagógica e dificulta a construção de vínculos ao longo do ano letivo, comprometendo a qualidade do ensino.
Entidades como o Sintep-MT e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) alertam que a solução passa por concursos públicos regulares com número de vagas compatível com a real demanda da rede e pela regulamentação de limites à contratação temporária.
O que o professor temporário pode exigir
Mesmo sem concurso, o professor temporário tem direitos garantidos: pagamento do piso salarial nacional (R$ 5.130,63 em 2026), férias proporcionais, 13º salário e FGTS. Caso algum direito seja negado, é possível acionar o Sintep-MT ou o Ministério do Trabalho e Emprego.
Os dados completos por estado, rede e município estão disponíveis no portal do Censo Escolar no site do INEP. Acompanhe as publicações oficiais para entender como a situação evolui em sua região.
Na prática, ser professor temporário no MT em 2026 ainda significa conviver com a incerteza de não saber se haverá contrato no próximo ano letivo — uma realidade que pesa sobre o planejamento de vida e a motivação de quem dedica a carreira à educação das novas gerações.




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