Mato Grosso ocupa a 5ª posição entre os estados que mais pagam professores em início de carreira no Brasil em 2026. O dado é do levantamento Planos de Carreira e Remuneração do Magistério — Redes Públicas, do Movimento Profissão Docente, que mapeia anualmente os salários iniciais das redes estaduais de todo o país. A pesquisa considera o vencimento do professor com licenciatura plena e jornada de 40 horas semanais no primeiro nível da tabela salarial estadual.
O salário inicial do professor da rede estadual de Mato Grosso é de R$ 7.343,44 mensais — valor definido pela Seduc-MT que não inclui adicional de tempo de serviço, progressão por titulação nem gratificações variáveis.
MT paga 43% acima do piso nacional do magistério
O piso salarial nacional do magistério público em 2026 é de R$ 5.130,63, fixado pela Portaria MEC nº 83/2026, com vigência desde janeiro. O salário inicial de MT supera esse valor em 43,1%, o que representa R$ 2.212,81 a mais já no primeiro mês de trabalho na rede estadual.
A diferença é ainda mais expressiva se comparada ao que pratica o Rio de Janeiro, onde o professor estadual inicia com R$ 4.867,77 — valor que sequer atinge o piso nacional, configurando descumprimento da lei federal do magistério. Na outra ponta, Mato Grosso do Sul lidera o ranking com R$ 13.007,12, mais de duas vezes e meia o piso federal.
A posição varia conforme a jornada: na carga horária de 20 horas semanais, o professor de MT começa com R$ 3.671,84 e o estado sobe para a 3ª posição nacional. Na jornada de 30 horas, o salário inicial é R$ 5.507,72, colocando MT em 4º lugar.
Os 5 estados que mais pagam professores no início de carreira
O levantamento do Movimento Profissão Docente mostra que a posição de cada estado no ranking depende mais de planos de carreira bem estruturados e da força da organização sindical local do que do tamanho da economia estadual. Isso explica por que estados do Norte e Nordeste, como Maranhão e Pará, superam São Paulo e Rio de Janeiro.
- 1º Mato Grosso do Sul: R$ 13.007,12
- 2º Maranhão: R$ 8.452,03
- 3º Pará: R$ 8.289,86
- 4º Roraima: R$ 7.700,47
- 5º Mato Grosso: R$ 7.343,44
São Paulo, maior economia do país, aparece muito abaixo no ranking: o professor estadual paulista começa com R$ 5.565,00 — apenas R$ 434 acima do piso nacional. A diferença entre o 1º e o último colocado supera R$ 8.100 por mês já no primeiro dia de exercício do cargo.
Gratificações por desempenho podem elevar ainda mais o salário em MT
Os valores do ranking não incluem a Gratificação Anual por Eficiência e Resultado (GR), regulamentada pela Lei Complementar nº 756/2023 do governo de Mato Grosso. Por meio dela, professores que atingem metas de desempenho podem receber até um 14º e 15º salário por ano, com base em critérios como redução de evasão escolar e horas de formação continuada.
Professores de Matemática e Língua Portuguesa têm condições de chegar a um 16º e 17º salário, vinculados aos resultados do SAEB. Segundo a Seplag-MT, em 2025 o governo estadual pagou R$ 215 milhões em GR para profissionais da educação da rede estadual. Isso significa que a remuneração total efetiva em MT pode ser bem maior do que o salário de entrada mostrado no ranking.
O que isso muda na prática para o professor
Para professores que avaliam onde atuar ou estão se preparando para concursos estaduais, o ranking coloca Mato Grosso como um dos destinos mais competitivos do país em termos de remuneração desde o início da carreira. Segundo o Consed, o piso estadual de MT tem contribuído para atrair candidatos de outras regiões ao concurso da Seduc-MT.
Para quem já está na rede, o levantamento é uma ferramenta de comparação: saber onde seu estado está no ranking nacional permite avaliar se o plano de carreira local avança na direção certa. MT saiu do 3º lugar em anos anteriores para o 5º em 2026, o que indica que Maranhão e Pará aceleraram os reajustes — um sinal de que a mobilização docente em outros estados tem gerado resultados concretos na tabela salarial.




Comentários
Faça login para comentar nesta notícia.