A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) afastou estudantes envolvidos na apuração de uma suposta lista ofensiva contra alunas e adotou medidas de segurança no Campus Cuiabá após relatos de ameaças. O caso, divulgado inicialmente no início de maio, envolve alunos dos cursos de Direito e Engenharia Civil e passou a ser acompanhado pela própria universidade, pela Polícia Civil, pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e pelo Ministério Público de Mato Grosso.
UFMT afasta estudantes durante investigação disciplinar
Segundo o Só Notícias, a reitora da UFMT, professora Marluce Souza e Silva, afirmou em entrevista à Rádio Vila Real FM que dois estudantes maiores de idade, um da Faculdade de Direito e outro do curso de Engenharia Civil, foram afastados da sala de aula e das atividades acadêmicas enquanto os fatos são apurados.
A reitora explicou que a universidade precisa seguir os procedimentos internos e garantir a escuta dos envolvidos antes de qualquer decisão definitiva. De acordo com ela, os alunos devem ser ouvidos, os elementos precisam ser analisados e a instituição deve observar a legislação para evitar que a resposta ao caso seja feita sem o devido processo.
Em nota institucional publicada pela UFMT, a universidade informou que tomou conhecimento da denúncia no dia 4 de maio de 2026, após manifestação do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito sobre a existência de uma suposta “lista de alunas estupráveis”. A instituição afirmou que iniciou os procedimentos previstos em sua legislação interna, assegurando devido processo legal, ampla defesa e proteção da comunidade universitária.
Aulas remotas foram adotadas após ameaças no campus
A situação ganhou um novo desdobramento quando estudantes relataram uma abordagem ameaçadora feita por um homem identificado como pai de um dos alunos envolvidos no caso. Conforme a nota da UFMT, câmeras de segurança e relatos de estudantes registraram a abordagem no dia 13 de maio. Após o episódio, os alunos foram orientados a formalizar ocorrência junto às autoridades competentes.
Como medida preventiva, o Colegiado do Curso de Engenharia Civil definiu que as aulas teóricas das turmas do 1º semestre, no Campus Cuiabá, ocorreriam de forma remota entre os dias 14 e 18 de maio. As aulas práticas previstas para o período foram suspensas e deverão ser repostas posteriormente.
A UFMT também informou que solicitou reforço de segurança junto à Polícia Militar e ao serviço interno de vigilância. Além disso, a universidade instaurou Comissão de Inquérito Disciplinar Discente na Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia e na Faculdade de Direito para apurar os fatos relacionados ao caso.
O que a universidade disse sobre proteção e acolhimento
Na nota oficial, a UFMT afirmou repudiar toda forma de violência, discriminação, misoginia, racismo, homofobia, xenofobia, etarismo e assédio moral. A universidade também destacou que os fatos seguem acompanhados pelas autoridades competentes, com registros junto à Polícia Civil e à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher.
Outro ponto importante é que a instituição informou ter concedido regime de educação domiciliar ao estudante de Engenharia Civil afastado preventivamente, com vedação de presença nas dependências da universidade e de contato com possíveis testemunhas durante o procedimento.
Segundo a reportagem do Só Notícias, a reitora declarou que os estudantes poderão responder não apenas administrativamente dentro da instituição, mas também na Justiça comum. Ela também afirmou que o retorno dos alunos ao convívio acadêmico dependerá do andamento da investigação e da comprovação dos fatos.
Por que o caso acende alerta para professores
Embora o episódio tenha ocorrido em uma universidade, ele dialoga diretamente com um tema cada vez mais presente em escolas e instituições de ensino: a necessidade de protocolos claros para lidar com violência de gênero, ameaças, assédio e exposição de estudantes em ambientes físicos ou digitais.
Para professores da educação básica, o caso reforça que situações envolvendo mensagens ofensivas, intimidação ou ameaças não devem ser tratadas como “brincadeira” ou conflito comum entre alunos. Quando há risco à integridade de estudantes, a escola precisa registrar formalmente os fatos, acionar a gestão, preservar possíveis evidências, orientar vítimas e testemunhas e buscar os órgãos competentes conforme a gravidade da situação.
Na prática, o caso da UFMT mostra que instituições de ensino precisam agir em duas frentes ao mesmo tempo: garantir apuração responsável, com direito de defesa, e proteger imediatamente a comunidade escolar ou acadêmica quando houver risco. Para o professor, a principal mudança é perceber que segurança, acolhimento e registro formal dos fatos também fazem parte da rotina pedagógica, especialmente em tempos de conflitos que começam em grupos de mensagens e rapidamente chegam à sala de aula.




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