A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) ampliou medidas de segurança e apuração após estudantes relatarem ameaças no Campus Cuiabá, em um caso ligado à investigação sobre uma suposta lista ofensiva contra alunas. Segundo o GC Notícias, com base em reportagem do Repórter MT, o homem apontado como autor da ameaça é pai de um estudante investigado e seria policial federal da ativa. A Polícia Civil apura o episódio, enquanto a universidade conduz procedimentos disciplinares internos.

UFMT apura ameaça contra estudantes no Campus Cuiabá

De acordo com a nota institucional da UFMT, câmeras de segurança e relatos de estudantes registraram, no dia 13 de maio de 2026, a abordagem feita por um homem a um aluno do curso de Engenharia Civil. A universidade informou que a fala teve tom ameaçador e teria relacionado a formatura do filho dele à formatura dos demais estudantes.

Após o relato, a direção da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (FAET) acionou a Reitoria. A orientação foi para que os estudantes formalizassem a ocorrência junto às autoridades competentes. Segundo a própria UFMT, os alunos registraram boletim de ocorrência e representação criminal junto à Polícia Civil, acompanhados por advogado.

A instituição também informou que solicitou reforço de segurança junto à Polícia Militar e ao serviço interno de vigilância. A nota oficial pode ser consultada no site da Universidade Federal de Mato Grosso.

Pai de aluno é citado em investigação sobre ameaça

Segundo o GC Notícias, o pai de um aluno de Engenharia Civil investigado no caso foi intimado para prestar depoimento, mas ainda não havia comparecido à delegacia até a publicação da reportagem. O portal informa que as investigações são conduzidas pela 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá.

A Folha de S.Paulo também publicou que o responsável foi identificado como policial federal da ativa e que, conforme a reitoria, a universidade encaminhou denúncia à Corregedoria, órgão responsável por apurar a conduta de agentes públicos. Como o caso segue em investigação, é importante destacar que eventuais responsabilidades ainda dependem da apuração formal das autoridades.

A origem do caso está relacionada à denúncia, feita no início de maio, sobre uma suposta lista de alunas “estupráveis”. A UFMT afirma que tomou conhecimento da denúncia no dia 4 de maio, após manifestação do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito, e iniciou procedimentos internos conforme sua legislação disciplinar.

Aulas remotas e comissão disciplinar foram adotadas

Como medida preventiva, o Colegiado do Curso de Engenharia Civil definiu que as aulas teóricas das turmas do 1º semestre, no Campus Cuiabá, fossem realizadas de forma remota entre os dias 14 e 18 de maio. As aulas práticas previstas para o período foram suspensas para reposição posterior.

No dia 14 de maio, a UFMT instaurou Comissão de Inquérito Disciplinar Discente na FAET e na Faculdade de Direito para apurar os fatos. A instituição também determinou a suspensão preventiva de um estudante de Engenharia Civil, em caráter cautelar, e concedeu regime de educação domiciliar, com proibição de presença nas dependências da universidade e de contato com possíveis testemunhas durante o procedimento.

Na nota, a universidade afirmou repudiar toda forma de violência, discriminação, misoginia, racismo, homofobia, xenofobia, etarismo e assédio moral. A UFMT também destacou que os fatos seguem acompanhados pelas autoridades competentes, incluindo a Polícia Civil e a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher.

O que o caso ensina para escolas e professores

Mesmo ocorrido em uma universidade, o episódio serve de alerta para toda instituição de ensino. Para professores da educação básica, a principal lição é que ameaças, intimidações, listas ofensivas e conteúdos que sexualizam ou violentam estudantes não devem ser tratados como brincadeira ou conflito comum entre colegas.

Na prática, a escola precisa ter protocolos claros: registrar formalmente os fatos, preservar provas digitais, acionar a gestão, orientar vítimas e testemunhas, comunicar responsáveis quando necessário e buscar os órgãos competentes quando houver risco à integridade de estudantes e profissionais.

O caso da UFMT mostra que a resposta institucional precisa equilibrar duas frentes: garantir apuração responsável, com direito de defesa, e proteger imediatamente a comunidade escolar quando há ameaça ou sensação de insegurança. Para o professor, isso reforça a importância de não minimizar sinais de violência e de cobrar da gestão procedimentos objetivos de acolhimento, segurança e encaminhamento formal.