Professores da rede estadual de Mato Grosso têm, além do salário-base, acesso a um dos programas de bonificação por desempenho mais robustos do ensino público brasileiro: a Gratificação por Resultado (GR), gerida pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT). Em dezembro de 2025, o governo estadual investiu R$ 215,4 milhões no pagamento da GR aos profissionais que atingiram as metas do ciclo avaliativo. Para 2026, mudanças importantes ampliam o alcance do benefício e corrigem distorções históricas.
O que é a GR e quanto ela representa no salário?
A Gratificação por Resultado é um bônus pago em parcela única ao final de cada ciclo avaliativo anual. Segundo a Seduc-MT, professores que atingem 100% das metas podem receber o equivalente a um 14º e até um 15º salário. O valor não se incorpora ao salário-base e não entra no cálculo de férias, décimo terceiro ou aposentadoria.
Para dimensionar o impacto: na rede estadual de MT, um professor com jornada de 40 horas semanais inicia a carreira com R$ 7.343,44, podendo chegar a R$ 17.903,29 ao final da progressão funcional, conforme dados da própria Seduc-MT. Para jornada de 20 horas, o salário inicial é de R$ 3.671,84. Esses valores já superam com folga o piso nacional de R$ 5.130,63 fixado pela Lei nº 15.437/2026. Com a GR somada, Mato Grosso figura entre os estados com melhor remuneração total para professores da educação básica pública.
Quais são as metas para receber a GR em 2026?
A avaliação da GR é dividida em dois eixos, conforme o Decreto nº 1.648/2025 e a Portaria nº 830/2025 da Seduc-MT:
- Metas individuais: frequência e assiduidade no trabalho, participação nas formações continuadas obrigatórias oferecidas pela Seduc e cumprimento das horas de atividade pedagógica previstas em lei.
- Metas coletivas: desempenho da escola nas avaliações externas de aprendizagem, redução da reprovação e do abandono escolar na unidade.
O percentual da GR recebida é proporcional ao grau de cumprimento de cada meta. Professores que atingem todas as metas individuais e coletivas recebem o valor máximo do bônus; resultados parciais geram pagamentos proporcionais. A apuração é feita pela Seduc-MT ao encerramento do ciclo.
O que muda na GR a partir de 2026?
Historicamente, professores afastados por licenças legais perdiam a GR integral durante o período de ausência. A Seduc-MT corrigiu essa distorção: a partir de 2026, profissionais em licença-maternidade, licença por luto, Licença para Tratar de Interesse Particular ou Licença para Aprimoramento de Carreira passam a receber a GR de forma proporcional ao tempo efetivamente trabalhado. A mudança já beneficiou mais de 1.400 servidores ainda em 2025, segundo a secretaria.
Além da GR, a Seduc-MT anunciou, durante a abertura da Semana Pedagógica 2026 em Cuiabá, dois novos benefícios para toda a rede:
- Kit uniforme profissional: todos os docentes da rede estadual receberão um uniforme e kit do professor a partir deste ano, reconhecendo a identidade e valorizando a categoria.
- Alimentação escolar: o acesso à refeição nas unidades escolares passa a ser garantido a todos os profissionais da educação durante o expediente — e não apenas aos alunos.
Como acompanhar sua GR e não perder o bônus?
O portal oficial da gratificação é o gr.seduc.mt.gov.br, onde o professor pode verificar seu histórico de desempenho individual, acompanhar as metas coletivas da escola e consultar o calendário de pagamento a cada ciclo. Vale acessar regularmente e conferir se todas as formações obrigatórias foram registradas — ausências nessas ações afetam diretamente a pontuação individual.
Na prática, o caminho para garantir o máximo da GR envolve manter a frequência, participar das formações da Seduc e contribuir ativamente para os resultados da escola. Com as novas regras de 2026, professores que precisaram se ausentar por razões legais deixam de ser penalizados — uma mudança concreta de valorização para quem cuida da família ou investe na própria formação sem abrir mão do bônus.




Comentários
Faça login para comentar nesta notícia.