Os professores e servidores da educação municipal de Belo Horizonte (BH) decidiram, por unanimidade, pela continuidade da greve em assembleia realizada na tarde de terça-feira, 19 de maio de 2026, na Praça Afonso Arinos, no Centro da capital mineira. A paralisação já completa 22 dias consecutivos — e seguirá enquanto não houver avanço concreto nas negociações com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).
Como começou a paralisação
O movimento teve início ainda em abril de 2026 e já passou por diversas assembleias sem que a PBH e a Secretaria Municipal de Educação (SMED) apresentassem propostas satisfatórias. Segundo o Sind-REDE/BH, sindicato que coordena a greve, a diretoria avaliou que a paralisação precisa continuar enquanto a prefeitura não responder de forma concreta às principais demandas da categoria. A assembleia de 19 de maio referendou essa posição por unanimidade.
O que os professores exigem
A principal reivindicação é a recomposição salarial de aproximadamente 5,4%, percentual alinhado ao reajuste do piso nacional do magistério definido pelo governo federal para 2026. A categoria exige também a aplicação integral da Lei do Piso Salarial (Lei 11.738/2008) e a valorização das carreiras da educação, com investimentos que garantam melhores condições de ensino e aprendizagem nas escolas municipais.
Além do salário, os trabalhadores pedem o fim das contratações precárias. A substituição de professores concursados por monitores e estagiários no Atendimento Educacional Especializado (AEE) é apontada como uma das principais formas de precarização do serviço. A categoria também cobra transparência na divulgação das vagas da rede e melhorias estruturais na Educação Infantil.
A proposta da PBH e a rejeição da categoria
A Prefeitura de Belo Horizonte sinalizou um reajuste de cerca de 3,5% para os servidores da educação — percentual que cobre apenas a inflação acumulada, sem recomposição real de perdas salariais. A proposta foi rejeitada por unanimidade. Para o Sind-REDE/BH, o percentual proposto é insuficiente diante das perdas acumuladas nos últimos anos e ignora as demandas estruturais da categoria.
O cenário em BH repete o que ocorre em outras capitais: em São Paulo, professores municipais mantêm greve desde 28 de abril, também recusando reajuste de 3,51% e exigindo recomposição acima da inflação.
O que está acontecendo nas escolas
Segundo o sindicato e relatos da categoria, as escolas municipais de BH vivem um quadro de precariedade crescente: turmas sem professor regente, sobrecarga extrema sobre os docentes que permanecem em sala, improvisos constantes na gestão escolar e o que os grevistas chamam de "apagão educacional". Na Educação Infantil, a denúncia central é a substituição de docentes concursados por contratos precários para atender crianças que precisam de suporte especializado — prática considerada pelo sindicato como precarização disfarçada.
Próxima assembleia e o que muda para o professor
A próxima assembleia está marcada para a sexta-feira, 22 de maio de 2026, às 14h, na Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte. A decisão de manter ou encerrar a greve dependerá do avanço — ou não — das tratativas com a PBH e a SMED nas próximas horas.
Para o professor da rede municipal de BH, acompanhar as comunicações do Sind-REDE/BH é essencial para entender os próximos passos, eventuais acordos e as consequências dos dias parados — incluindo possíveis descontos em folha ou reposição de aulas, conforme o desfecho das negociações. A orientação do sindicato é o guia oficial para todos os que participam da paralisação.




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