Os professores e demais trabalhadores da educação da rede municipal de São Paulo estão em greve desde o dia 28 de abril de 2026. A categoria mantém a paralisação por tempo indeterminado mesmo após a Câmara Municipal aprovar e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) sancionar um reajuste de 3,51%. Para os professores, o índice aprovado é insuficiente e não repõe as perdas salariais acumuladas nos últimos anos.

Por que os professores entraram em greve

A greve foi deflagrada em 28 de abril após o fracasso nas negociações salariais com a Prefeitura de São Paulo. Os professores e servidores da educação municipal têm duas reivindicações centrais: a atualização de 5,4% no piso do magistério municipal e uma valorização salarial de 14,56% para toda a categoria.

O Sinesp (Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo) classificou a proposta da prefeitura como "indecente", argumentando que o percentual oferecido não cobriria sequer a inflação acumulada no período. Os sindicatos apontam que os professores já acumulam perdas reais de poder de compra ao longo dos anos e que qualquer reajuste abaixo da inflação representa, na prática, mais um corte real nos salários.

O que a Câmara aprovou e o prefeito sancionou

Em 13 de maio de 2026, o prefeito Ricardo Nunes sancionou a Lei nº 18.463, que estabelece reajuste de 3,51% para os servidores da educação municipal. O índice foi calculado com base no IPC-Fipe acumulado entre abril de 2025 e março de 2026.

O reajuste não será pago de uma só vez: o texto prevê duas parcelas, sendo 2% em maio de 2026 e os outros 1,48% somente em maio de 2027. Para os sindicatos, parcelar o reajuste em dois anos piora a situação dos professores, que seguem perdendo para a inflação nesse intervalo.

O Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo) contestou o índice aprovado, afirmando que ele fica abaixo da inflação real acumulada no período, e que a aprovação na Câmara não encerrou a mobilização da categoria.

A contraproposta dos sindicatos

As entidades sindicais apresentaram um substitutivo ao PL 354/2026 com condições mais favoráveis aos trabalhadores: recomposição inflacionária de 4,16% — percentual que, segundo os sindicatos, corresponde à inflação real do período — mais um aumento real de 10% sobre os salários dos profissionais da educação municipal.

A distância entre o que a categoria pede e o que a prefeitura aprovou ultrapassa 10 pontos percentuais no aumento real, além de divergir na correção inflacionária. O impasse permanece sem solução desde o início da paralisação.

Protesto nas ruas e decisão da Justiça

Com a greve mantida, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) determinou, em 5 de maio, que as unidades educacionais da rede municipal deveriam funcionar com no mínimo 70% dos professores, profissionais do Quadro de Apoio e supervisores das Diretorias Regionais de Educação — uma tentativa de reduzir o impacto da paralisação para os alunos.

Ainda assim, as mobilizações continuaram. Em 13 de maio, professores realizaram manifestação que interditou ruas no Centro da capital paulista. A assembleia realizada nesse dia confirmou a disposição da categoria em manter a greve e aguardar novas negociações.

O que muda na prática para o professor municipal de SP

Se você é professor da rede municipal de São Paulo, fique atento: a Lei nº 18.463 já foi sancionada e o primeiro reajuste de 2% está previsto para o contracheque de maio de 2026. Porém, enquanto a greve continuar, os dias parados podem ser descontados do salário, a menos que haja acordo de reposição entre sindicatos e prefeitura.

Acompanhe as assembleias do Sinpeem e do Sinesp para saber os próximos passos da negociação. Segundo a Agência Brasil, a greve seguia em aberto após a assembleia de 7 de maio, e a sanção da lei não encerrou a mobilização. O desfecho pode vir por nova rodada de negociação ou por decisão judicial.